UCANHA

Adoro esta foto, nem sei por que eu ainda não a tinha publicado aqui no blog. Mas posso explicar direitinho o motivo que me faz gostar tanto dela: essa imagem pertence a um conjunto que me traz as melhores recordações. … Continuar lendo

VILA NOVA DE GAIA

Visitar o Porto e não reservar pelo menos uma tarde para explorar Vila Nova de Gaia é um pecado. Afinal, ficam lá as famosas caves de vinho do porto. Ainda que você não seja um grande apreciador da bebida, vá … Continuar lendo

O MAIOR LAGAR DO PAÍS

“Se Portugal inteiro fosse um adega, o Alentejo seria o maior lagar do país”. Essa é a primeira frase proferida pelo apresentador no vídeo a seguir. Trata-se de um dos episódios da série Verdade do Vinho, dedicado inteiramente aos vinhos alentejanos e exibido pela RTP em dezembro de 2014.

ADEGA VILA SANTA

Neste último post sobre a Rota dos Vinhos do Alentejo, convido o leitor a conhecer, ainda que superficialmente, a Vila Santa, uma das seis propriedades da João Portugal Ramos na região de Estremoz. Minha visita foi rápida, muito rápida. Eu … Continuar lendo

PRESS TRIP 2015 – DIA 18 – ALENTEJO

Sexta-feira, 9 de outubro. Dia de ir embora de Évora, depois de nove maravilhosos dias usando a cidade como base. Meu próximo destino seria Campo Maior, trampolim para a cidade-quartel de Elvas e suas fortificações. Viagem curta, cerca de 100 … Continuar lendo

QUINTA DOS MALVEDOS

Na margem norte do Douro, junto à foz do Rio Tua, esparramam-se os vinhedos de uma das mais espetaculares quintas da região demarcada. Trata-se de Malvedos, pertencente à Graham´s – cujos vinhos do porto, em especial os vintage, são verdadeiras obras de arte.

Quinta dos Malvedos: produtora de vinhos de porto que são verdadeiras obras de arte

Quinta dos Malvedos: produtora de vinhos de porto que são verdadeiras obras de arte

A Quinta dos Malvedos foi adquirida pela família Graham em 1890. Teve de ser vendida algum tempo depois, devido a problemas financeiros, mas acabou sendo recomprada em 1970. As vinhas cobrem quase 70% dos 108 hectares da propriedade. Nos socalcos murados mais antigos, elas têm, em média, 45 anos de idade.

Os painéis de azulejo na entrada da quinta lembram os visitantes...

Os painéis de azulejo na entrada da quinta lembram os visitantes…

Douro

…de que a família Graham está no Douro desde o século 19

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

A seguir, dois vídeos amadores, mas bem bacanas, feitos pela blogger da Graham´s em Malvedos no ano de 2011, poucas semanas antes da vindima (a colheita das uvas). A primeira parte passeia pelo setor sul da propriedade. A segunda, pelo norte. Ambas estão em inglês.

Só para constar: a safra 2011 foi uma das melhores de todos os tempos não apenas no Douro, mas em todo o país.

VALE DE MENDIZ

VALE DE MENDIZ

Esse lugarzinho lindo, sobranceiro ao Rio Pinhão, é o povoado de Vale de Mendiz, no Alto Douro. As inquirições gerais de 1220, sob o reinado de D. Afonso II, referem-se a ela como Valem Menendo Dias, então um povoado sob posse administrativa … Continuar lendo

VINHO DO PORTO E BRASIL COLÔNIA

Uma das propostas deste projeto – Portugal – Patrimônios da Humanidade – é registrar as conexões existentes entre os patrimônios mundiais portugueses e o Brasil. Um exemplo: sabia que o Brasil Colônia foi um dos maiores consumidores do vinho do porto produzido no Douro? Essa história começa em 1756, ano em que Portugal impôs aos colonos deste lado do Atlântico grandes cotas do produto. Em outras palavras, a colônia ficou obrigada a comprar todo o porto que sobrasse da exportação para os ingleses. Não por acaso, naquele mesmo ano foi fundada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, inclusive com escritórios em Recife, Salvador e no Rio de Janeiro.

Xxxx xxx x xxxxxxxxx

Os socalcos do Douro entre Peso da Régua e Pinhão: primeira região demarcada do mundo

No website Espólio Fotográfico Português, há um bom relato desse episódio. Reproduzo a seguir alguns parágrafos.

“As origens da região demarcada do Alto Douro remontam a 1756, ano em que o ministro de D. José I, Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) fundou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Com efeito, em 10 de Setembro de 1756, no âmbito da política pombalina de fomento económico e reorganização comercial do país, de inspiração mercantilista, assente na formação de várias companhias monopolistas e privilegiadas, foi criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, destinada a garantir e promover, de forma articulada, a produção e comercialização dos vinhos do Alto Douro, a travar a concorrência de outros vinhos portugueses de inferior qualidade, a limitar o predomínio e mesmo o controlo desta actividade económica pelos ingleses e, logicamente, a aumentar os rendimentos da Coroa provenientes do comércio dos vinhos do Alto Douro, que vieram a ser uma das maiores fontes de receita do Estado português.”

Uvas da Quinta de Vargellas (Taylor´s), em São João da Pesqueira

Quinta de Vargellas (Taylor´s), em São João da Pesqueira

“De acordo com os estatutos da companhia, deviam separar-se “inteira e absolutamente para o embarque da América e reinos estrangeiros os vinhos das costas do Alto Douro e do seu território de todos os outros vinhos, dos lugares que somente os produzem capazes de se beber na terra, para que desta sorte a inferioridade destes vinhos não arruíne a reputação que aqueles merecem pela sua bondade natural”. Daí a necessidade de se elaborar um mapa ou tombo geral das duas costas, setentrional e meridional do rio Douro, no qual se demarcou “todo aquele território que produz os verdadeiros vinhos de carregação, que são capazes de sair pela barra do mesmo rio.”

X xxxx x xxxx xx xxxxxxxx

Mapa da região demarcada do Douro desenhado pelo Barão de Forrester no século 19

“Por aviso de 28 de Julho de 1757, Carvalho e Melo manda demarcar “as duas costas do rio Douro e os respectivos terrenos que produzem diferentes qualidades de vinhos”, de forma a terminarem as “desordens” provocadas pela “confusão” existente entre vinhos bons e maus, encarregando o sargento-mor de infantaria Francisco Xavier do Rego de levantar as “costas” do rio Douro e nomeando para dirigir tal operação o desembargador Inácio de Sousa Jácome Coutinho, procurador fiscal da companhia, e os dois deputados provadores da companhia, Manuel Rodrigues Braga e José Monteiro de Carvalho, e convidando ainda Diogo Archibold, de nação inglesa, para testemunhar a boa-fé com que se ia proceder na separação dos terrenos do vinho tinto para o comércio da Europa do Norte, dos terrenos de vinhos destinados ao Brasil e ao consumo interno.

Ainda nesse ano, porém, esta primeira demarcação foi anulada, uma vez que, como refere a carta régia de 20 de Setembro de 1758, a comissão demarcante tinha ultrapassado as instruções régias que deviam orientar aquele trabalho. Em Outubro de 1758 dá-se início à nova demarcação do Alto Douro (…). Em Novembro de 1758, a demarcação das duas costas do rio Douro, com a indicação dos terrenos que produziam diferentes qualidades de vinhos pagos a preços distintos, foi terminada.”

Colheita em Provesende, coração do Alto Douro Vinhateiro

Colheita em Provesende, coração do Alto Douro

“A região vinícola demarcada do Alto Douro conheceu sucessivos alargamentos no século 19, de tal modo que em 1907 chegou até à fronteira com a Espanha. No ano seguinte, porém, deu-se uma redução da área produtora do vinho do porto, de tal modo que, na sequência do decreto de 10 de Dezembro de 1921, podemos afirmar que a região demarcada do Alto Douro passou a corresponder, praticamente, àquela que ainda hoje permanece. Considerada por François Guichard a primeira demarcação no mundo de uma zona de denominação de origem controlada no sentido contemporâneo do termo, a demarcação pombalina, que nunca correspondeu a qualquer entidade administrativa, acabou por conceder à região do Alto Douro, como sublinhou Gaspar Martins Pereira, uma identidade própria que veio até aos nossos dias.”

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados