Cap 5 – ALCOBAÇA

Estas são as 10 fotos do Mosteiro de Alcobaça de que mais gosto, clicadas em duas visitas: 2009 e 2014. Entrariam todas no livro que pretendo publicar, sobre os patrimônios mundiais portugueses e suas conexões com a história do Brasil. … Continuar lendo

REAL ABADIA DE SANTA MARIA

Esta semana, revisitarei aqui no blog o extraordinário Mosteiro de Alcobaça, um dos mais belos monumentos de Portugal, declarado patrimônio mundial em 1989. Trata-se, portanto, de uma obra-prima do gênio criativo da humanidade. Entre as justificativas para a inscrição do … Continuar lendo

A ORDEM DE CISTER

Algum tempo atrás, vasculhando a internet atrás de informação confiável sobre o Mosteiro de Alcobaça, descobri um livro excelente sobre a Ordem de Cister. Trata-se de O Esplendor da Austeridade, obra organizada pelo historiador, jornalista e ensaísta José Eduardo Franco. Reproduzo a seguir 2 ou 3 parágrafos, extraídos de um artigo assinado por V.G. Teixeira.

“Portugal foi extremamente importante na história de Cister, tal como Cister foi relevante no processo de afirmação do Reino de Portugal como entidade política autónoma. Desde a (re)fundação cisterciense de Tarouca em 1144, depois de várias tentativas de fixação dos Monges Brancos em Portugal sob patrocínio e proteção de D. Afonso Henriques e da aristocracia portucalense, até à exclaustração de 1834, Cister foi uma das mais destacadas instituições religiosas da história nacional, moldando mentalidades, animando cultural e educacionalmente, arroteando terras, explorando, produzindo, como pioneiros de povoamento, entre outras realizações.”

Mosteiro de Alcobaça, o maior do Reino de Portugal e um dos maiores da Ordem de Cister

Mosteiro de Alcobaça, o maior do reino e um dos maiores da Ordem de Cister

“Os séculos 12 e 13 foram as centúrias do apogeu de Cister em Portugal, como em toda a cristandade, destacando-se a abadia de Alcobaça, a maior do reino e uma das maiores da Ordem. As comunidades cistercienses sofreram as mesmas vicissitudes que as das outras ordens religiosas a partir de Trezentos, com o declínio económico, espiritual e demográfico que provocou a reforma da Ordem no século 16, quando se instituiu a Congregação de Alcobaça.

A malha conventual foi renovada, em termos estruturais e de formação dos monges, assumindo a estética do Barroco de forma imponente no panorama monástico português. O património, material como imaterial, de Cister em Portugal é enorme, com um legado impressivo, mesmo depois da extinção de 1834.”

A abadia é um retrato da importância que os cisternienses tiveram na história de Portugal

A abadia é um retrato da importância que os cisternienses tiveram na história de Portugal

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

Aqui, uma reportagem da RTP2 sobre o livro.

FORTALEZA MEDIEVAL

Duas, três horas no máximo. Esse foi todo o tempo que eu tive para fotografar Castelo Mendo. Uma lástima. Se pudesse, passaria dois, três dias inteiros zanzando pela aldeia. Reconheço que há um pouco de exagero nisso. Para o viajante que não seja assim, tão escravo de uma câmera quanto eu, uma day trip – ou meia – talvez já resolva bem a questão. O lugar é bem pequeno, tem mais ou menos 120 habitantes. Em meia hora, dá-se uma volta completa.

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O povoado de Castelo Mendo: vestígios de ocupação desde a Idade do Bronze

Casa típica da aldeia: vi mais gatos do que gente na minha visita

Casa típica da aldeia: vi mais gatos do que gente na minha visita

No site Aldeias Históricas de Portugal, consta o seguinte sobre Castelo Mendo:

“Concelho de fundação medieval, com foral concedido em 1229 por D. Sancho II, Castelo Mendo virá a perder esse estatuto de centro urbano com a reforma administrativa liberal de 1855. Apesar de o local ter conhecido ocupação desde a Idade do Bronze e mostrar vestígios da presença romana, a estrutura fortificada e o modelo urbanístico caracterizadores de Castelo Mendo são uma criação medieval concebida para enfrentar as necessidades impostas pela Reconquista Cristã nos séculos 12 e 13: promover o repovoamento dos territórios muçulmanos anexados ao reino português e sustentar as disputas territoriais fronteiriças com os reinos cristãos de Leão e Castela na região de Ribacôa.

A partir do século 14, estabilizada a fronteira com o Tratado de Alcanizes, em 1297, Castelo Mendo continuará a integrar a rede de fortificações que defendem a raia beirã. Este sistema defensivo medieval só perde a sua eficácia militar com o século 17, período que vê surgir as fortificações modernas.

Por exigência de domínio territorial e de defesa da população aqui estabelecida, o povoado estrutura-se em função dos dispositivos militares. Dois núcleos amuralhados, de épocas construtivas diferentes, configuram Castelo Mendo. No cimo do cabeço rochoso, dominando a paisagem envolvente, situa-se o castelo com dois recintos distintos. O aglomerado civil desenhado em torno da Igreja de Nossa Senhora do Castelo dividido pelo pólo exclusivamente militar, localizado a Este, no ponto mais elevado, onde antes se erguia a torre de menagem.

Com o crescimento da povoação, o primitivo núcleo, supõe-se que mandado edificar por D. Sancho I ou D. Sancho II, é aumentado com nova cerca no reinado de D. Dinis (fim do século 13). Pela encosta se estendeu a vila, nela se organizando a vida da população abraçada pelos muros.”

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Igreja de Nossa Senhora do Castelo: românica, provavelmente construída em 1229

A igreja em ruínas: restauro prevê a criação de um museu

A igreja em ruínas: restauro prevê a criação de um museu

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

500 ANOS ATRÁS

Já ouviu falar do Livro das Fortalezas? Trata-se de um manuscrito com mais de 500 anos, cuja autoria é de Duarte de Arma. Reúne desenhos de 56 castelos fronteiriços do Reino de Portugal, todos eles visitados pelo autor. Pois bem: uma das fortalezas retratadas por Duarte foi a de Castelo Rodrigo. Repare que ele se coloca nas cenas – é quem aparece montado, acompanhado de um criado.

A fortaleza de Castelo Rodrigo desenha por Duarte de Armas em 1510

A fortaleza de Castelo Rodrigo: desenha em 1510 por Duarte de Armas, escudeiro da Casa Real

Patrimônio Português

O castelo por outro ângulo: originais estão guardados no Arquivo Nacional Torre do Tombo

Fotos: Wikimedia Commons