VISITA GUIADA ÀS GRAVURAS DO CÔA

Dez fotos clicadas em 2012, durante minha primeira visita às gravuras rupestres do Vale do Côa. Naquela ocasião, foram dois dias seguidos de trabalho, em dois sítios arqueológicos distintos, Penascosa e Canada do Inferno, mas acompanhado da mesma guia. As … Continuar lendo

HISTÓRIAS DE FRONTEIRA

Castelo Rodrigo, uma das 12 aldeias históricas de Portugal. Fiz dela minha base, em setembro do ano passado, para as visitas ao Museu do Côa e às gravuras rupestres de Penascosa e da Ribeira de Piscos. O lugar é descrito assim no site Visit Portugal:

“Do topo de uma colina, a pequena aldeia de Castelo Rodrigo domina o planalto que se estende para Espanha, a leste, até ao vale profundo do Douro, a norte. Segundo a tradição, fundou-a Afonso IX de Leão, para doá-la ao conde Rodrigo Gonzalez de Girón, que a repovoou e lhe deu o nome. Com o Tratado de Alcanices, assinado em 1297 por D. Dinis de Portugal, rei e poeta, passou para a coroa portuguesa.

Castelo Rodrigo conserva as marcas de alguns episódios de disputa territorial. O primeiro deu-se menos de 100 anos após sua integração a Portugal, durante a crise dinástica de 1383-1385. D. Beatriz, única filha de D. Fernando de Portugal, estava casada com o rei de Castela. Por morte de seu pai, e com sua subida ao trono, Portugal perderia sua independência em favor de Castela. Castelo Rodrigo tomou partido por D. Beatriz, mas D. João, Mestre de Avis, veio a vencer os castelhanos na Batalha de Aljubarrota, em 1385 – e, por esse feito, foi coroado rei de Portugal com o nome de D. João I.

Como represália pelos senhores de Castelo Rodrigo terem tomado o partido por Castela, o novo rei ordenou que o escudo e as armas de Portugal fossem representados em posição invertida no seu brasão de armas. Mais tarde, no século 16, quando Filipe II de Espanha anexou a Coroa Portuguesa, o governador Cristóvão de Moura tornou-se defensor da causa de Castela, vindo a sofrer a vingança da população que lhe incendiou o enorme palácio em 10 de dezembro de 1640, logo que lá chegou notícia da Restauração (ocorrida a 1º de dezembro), ficando desta história antiga as ruínas no alto do monte, junto ao castelo.

Lugar de passagem dos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela, contam as lendas que o próprio São Francisco de Assis aqui teria pernoitado na sua peregrinação ao túmulo do santo. Revolvida à sua quietude, Castelo Rodrigo merece uma visita pelas suas glórias passadas, pela beleza e limpidez do lugar, pelo seu casario intramuros, pelo seu pelourinho manuelino e ainda pela comovente imagem de Santiago Matamouros guardada na Igreja do Reclamador.”

Aldeias Históricas

Castelo Rodrigo: no topo de uma colina com 820 m de elevação

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

MAR DE VINHEDOS

A Quinta de Ervamoira, no Douro Superior, vista de três pontos distintos: de longe, desde o Miradouro de São Gabriel, em Castelo Melhor; mais de perto, da estrada que leva ao sítio arqueológico de Penascosa; e bem de pertinho, ou melhor, lá … Continuar lendo

RIBEIRA DE PISCOS

RIBEIRA DE PISCOS

Dos mais de 60 sítios arqueológicos já identificados no Vale do Côa, apenas três estão abertos à visitação: Penascosa, Canada do Inferno e Ribeira de Piscos. Em 2012, conheci os dois primeiros. O terceiro visitei este ano, em setembro passado. Um de seus … Continuar lendo

PENASCOSA À NOITE

Cheguei ao sítio de Penascosa, no Parque Arqueológico do Côa, por volta das 19h30. Ainda era dia, mas a noite não demoraria a chegar. Faltavam uns 30, talvez 40 minutos. Aproveitei essa “folga” para fazer algumas fotos na beira do rio. Como se percebe na primeira imagem deste post, em Penascosa o Côa forma um vale bem aberto. Do lado de cá, na margem direira, há quase 30 rochas com gravuras. Do lado de lá, são mais de 60. A datação da maioria remete ao período mais antigo da arte rupestre naquela região: o Paleolítico Superior.

Rio Côa na altura do sítio arqueológico de Penascosa: quase 30 rochas com gravuras de um lado e mais de 60 do outro

Rio Côa na altura de Penascosa: quase 30 rochas com gravuras paleolíticas de um lado e mais de 60 do outro

Assim que começou a escurecer, juntei minha tralha e segui para as rochas. Ou melhor, fui direto à Rocha 3, na qual se observa um conjunto de animais sobrepostos, principalmente cabras e auroques. Para o arqueólogo António Martinho Baptista, diretor do parque, há uma clara associação simbólica entre as duas espécies – cujo significado, provavelmente, jamais sairá do campo das hipóteses. “Quem analisa a temática do Côa, a maneira de elaborar as figuras, verifica que todas elas são extremamente bem calibradas em termos estéticos”, diz o arqueólogo (aqui). “Tinham de ser [os autores] artistas de corpo inteiro. Daí serem chamados de verdadeiros iniciados na arte da gravura.”

Rocha 3: vários animais, principalmente cabras e auroques

Rocha 3: vários animais, principalmente cabras e auroques

Da Rocha 3 passei à 5. Depois, à Rocha 6. E foi só. Voltei para Castelo Rodrigo, onde estava hospedado, meio que entorpecido. A escuridão, o céu absurdamente estrelado, as gravuras destacadas pelo jogo de luz e sombra… Uma noite para nunca mais ser esquecida.

Rocha 6, na qual estão gravados dois cavalos e dois machos de cabra-montês

Rocha 6, na qual estão gravados dois cavalos e dois machos de cabra-montês

Detalhe da Rocha 5: outro macho de cabra-montês, uma das espécies mais comuns do Côa paleolítico

Detalhe da Rocha 5: outro macho de cabra-montês, uma das espécies mais comuns do Côa paleolítico

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

UMA CABRA DE 10 MIL ANOS… OU MAIS!

UMA CABRA DE 10 MIL ANOS… OU MAIS!

Esta é a Rocha 5B, no sítio arqueológico de Penascosa, Vale do Côa. Percebe o desenho de uma cabra gravado no xisto? Ele foi feito há 10 mil anos ou mais. É arte paleolítica – ou pré-histórica, se preferir assim. Segundo … Continuar lendo

PRESS TRIP 2014 – DIAS 7 a 11

Ritmo muito intenso de trabalho e poucas horas de sono desde que cheguei a Castelo Rodrigo, na segunda-feira passada. Por isso, vou resumir aqui, em um único post, os cinco últimos dias de viagem. Só assim conseguirei tirar o atraso dos relatos. Deixarei os detalhes de cada lugar visitado para quando voltar o Brasil.

Castelo Rodrigo é incrível, uma aldeia histórica situada no topo de uma colina com aproximadamente 800 metros de altura. Fica bem perto da fronteira com a Espanha e está funcionando como base para a exploração das gravuras rupestres do Vale do Côa. Ontem, visitei o sítio arqueológico de Penascosa. Hoje, o da Ribeira de Piscos. Ambos são extraordinários. Mas foi Penascosa o que mais me deixou boquiaberto. A visita, comandada pela bióloga Ana Berliner, foi noturna. Com luz artificial, a gravuras saltam muito mais aos olhos. E proporcionam ao visitante uma experiência inesquecível. Recomendo fortemente.

Além das gravuras, estive também na Reserva Natural da Faia Brava, guiado pelo biólogo Pedro Prata, e no Museu do Côa, onde fui conduzido por ninguém menos que o próprio diretor da instituição, o arqueólogo António Martinho Baptista.

Devo um agradecimento especialíssimo à Ana, que, além de me levar a Penascosa e viabilizar minha visita à Quinta de Ervamoira, está me recebendo com uma generosidade incomum em sua guesthouse, a Casa da Cisterna. E não poderia deixar de agradecer, ainda, à amável Sónia Teixeira, da Ervamoira, que hoje foi me buscar de Land Rover no fim da trilha para a Ribeira de Piscos. Sem essa quebrada de galho, eu não teria conseguido visitar a quinta.

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QUINTA DE ERVAMOIRA

Ervamoira, a primeira quinta vinhateira do Douro a receber o título de patrimônio mundial, em 1998. A propriedade da Ramos Pinto fica dentro do Parque Arqueológico do Vale do Côa, bem em frente ao sítio conhecido como Penascosa, do outro lado do rio.

Dá para acreditar que um lugar tão bonito esteve à beira de ser riscado do mapa? Sua morte chegou a ser anunciada: Ervamoira desapareceria sob as águas do lago que ali se formaria por causa da construção de uma barragem. Com a descoberta das gravuras rupestres, a obra foi interrompida – para nunca mais ser retomada. Sorte minha, que já estive lá e pretendo voltar em breve. Sorte sua, que também já foi ou ainda vai. Sorte da humanidade.

A propriedade da Ramos Pinto fica bem em frente ao sítio arqueológico de Penascosa

A propriedade da Casa Ramos Pinto fica bem em frente ao sítio de Penascosa, do outro lado do Côa

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

PENASCOSA

Documentário bacana sobre a arte pré-histórica do Vale do Côa, produzido e exibido pela RTP2. O mais legal são as explicações do arqueólogo António Martinho Baptista para algumas das principais gravuras de Penascosa – o “coração” do conjunto declarado patrimônio mundial pela Unesco.

PENASCOSA, VALE DO CÔA

PENASCOSA, VALE DO CÔA

Rocha 6 do sítio arqueológico de Penascosa, no Vale do Côa. Essas gravuras – dois cavalos e dois cabritos-monteses – são do Paleolítico Superior. Foram feitas há pelo menos 10 mil anos. E fazem parte de um dos mais importantes conjuntos … Continuar lendo