CANDIDATOS PORTUGUESES A PATRIMÔNIO MUNDIAL

Dando sequência ao post anterior, reúno aqui a segunda metade dos candidatos portugueses a patrimônio mundial.

Azulejos tradicionais portuguesesem uma estação de trem abandonada na Linha do Douro

Azulejos tradicionais portugueses em uma estação de trem abandonada na Linha do Douro

Azulejo português – O azulejaria portuguesa nasceu no século 16, quando entraram em Portugal os azulejos hispano-mouriscos produzidos na Andaluzia. A candidatura será preparada pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) em parceria com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a Comissão Nacional da UNESCO/Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Centro Histórico de Santarém – Candidatura antiga, foi lançada há quase 20 anos. Mas nunca avançou. Em 2013, uma nova proposta foi colocada em discussão: candidatar apenas a Igreja da Graça, onde se encontra o túmulo de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil.

Levadas da Madeira – São canais de irrigação típicos da Ilha da Madeira e de algumas outras ilhas da Macaronésia, como Cabo Verde e La Palma, nas Canárias. Se tudo correr como o planejado, vou fotografá-las no próximo mês de setembro, com apoio do Turismo da Madeira.

Ilhas Selvagens, Madeira – Elas constituem desde 1971 uma reserva natural, a primeira criada no país. Sua candidatura a patrimônio da humanidade começou a ser preparada em 2003, mas emperrou. Há quem considere que as Ilhas Selvagens não são significativas globalmente – inelegíveis, portanto, a patrimônio da humanidade. Mesmo assim, o projeto de candidatá-las provavelmente será retomado.

Palácio de Mafra – Na verdade, a ideia é candidatar não apenas o palácio, mas também o convento e a Tapada Nacional. A câmara municipal de Mafra lidera uma comissão criada para fazer o projeto avançar, da qual fazem parte três ministérios (Cultura, Defesa e Agricultura), o Patriarcado e o Turismo de Lisboa.

Valença do Minho – A candidatura da fortaleza da cidade a patrimônio mundial foi apresentada em 2011. A ponte rodoferroviária sobre o Minho, que liga Valença à cidade de Tui, na Galícia, também será integrada na candidatura.

A fortaleza de Valença e a ponte rodoferroviária sobre o Rio Minho

A fortaleza de Valença e a ponte rodoferroviária sobre o Rio Minho

Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina – Quem lidera a proposta de candidatura a patrimônio natural da humanidade é a câmara municipal de Odemira. O projeto envolve todos os municípios da área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Marvão – A candidatura da vila começou a ser preparada em 1996. Em fevereiro de 2000, a proposta foi admitida. Mas a Unesco entendeu, três anos mais tarde, que não havia condições para avançar com o processo.

Pinhal de Leiria – Também chamada Pinhal do Rei ou Mata Nacional de Leiria, é uma floresta mandada plantar pelo rei D. Afonso III no século 13. Há uma comissão constituída para dar andamento à candidatura – justificável, na opinião dos proponentes, pela relevância histórica e natural do lugar.

Fisgas de Ermelo, Vila Real – A proposta de candidatura está sendo desenvolvida pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e pela câmara de Mondim de Basto. É possível que o projeto seja submetido à Comissão Nacional da Unesco, em Lisboa, até o fim do ano.

Castelo de Arnoia – A câmara de Celorico de Basto anunciou há poucos dias sua intenção de candidatar o castelo, já declarado monumento nacional, e a aldeia contígua.

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

OBRA-PRIMA MANUELINA

Ir a Lisboa e não conhecer o Mosteiro dos Jerónimos equivale a ir ao Cairo e não ver as pirâmides. Declarado patrimônio da humanidade em 1983, junto com a Torre de Belém, o lugar é uma obra prima do estilo manuelino – variação portuguesa do gótico tardio. Começou a ser erguido em 1501. Àquela altura, Portugal era todo otimismo. Vivia-se a Era dos Descobrimentos e Pedro Álvares Cabral tinha acabado de desembarcar no Brasil. A maré era tão favorável que o rei, D. Manuel I, ordenou a construção do mosteiro e decidiu consagrá-lo à descoberta do Caminho das Índias (1497-1499). Vem daí, por sinal, o termo “manuelino”, criado pelo historiador brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen (Visconde de Porto Seguro) no livro Notícia Histórica e Descriptiva do Mosteiro de Belém, de 1842.

Portal Sul da Igreja de Santa Maria de Belém, Mosteiro dos Jerónimos

Portal Sul da Igreja de Santa Maria de Belém, Jerónimos

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados