Cap 5 – ALCOBAÇA

Estas são as 10 fotos do Mosteiro de Alcobaça de que mais gosto, clicadas em duas visitas: 2009 e 2014. Entrariam todas no livro que pretendo publicar, sobre os patrimônios mundiais portugueses e suas conexões com a história do Brasil. … Continuar lendo

UM LUGAR DESLUMBRANTE

Monsaraz debruçada sobre o Lago de Alqueva, no Alentejo. Para muitos, trata-se da mais bela vila de Portugal. Não posso cravar que ela realmente o seja. Afinal, são poucas as vilas portuguesas pelas quais já passei. Mas essa eu conheço … Continuar lendo

CONVENTO DE CRISTO EM P&B

A Charola e a Janela do Capítulo, provavelmente os dois maiores highlights do Convento de Cristo, em Tomar.

Charola: mais bem preservado monumento templário da Europa

Charola: o mais preservado monumento templário da Europa

Janela do Capítulo: máxima expressão do estilo manuelino

Janela do Capítulo: máxima expressão do estilo manuelino

No website do monumento, a gente lê o seguinte:

“O Castelo de Tomar e Convento de Cristo, sede das ordens religiosas e militares do Templo e de Cristo, foi classificado como património da humanidade e inscrito na lista do património mundial da Unesco em 1983. Os critérios que presidiram à sua classificação tiveram em conta, particularmente, a Charola dos templários e a invulgar janela ocidental da nave manuelina, cuja construção amplia e prolonga para fora do castelo a própria rotunda, primitivo oratório dos cavaleiros.”

“A Charola, para além de ser um dos melhores entre os raros exemplares existentes de igreja em rotunda, simboliza o mundo medieval europeu, das cruzadas e da defesa da fé. A janela manuelina, na originalidade da sua gramática decorativa, constitui a primeira síntese das artes europeia e oriental.”

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

RODEADA DE MURALHAS

Trancoso. Por aqui passaram romanos, bárbaros, árabes… Judeus, cristãos novos, templários… Hoje, seu maior orgulho talvez seja o castelo, autodenominado “um dos mais belos de Portugal”. O website da rede Aldeias Históricas conta assim a história:

“Sem dados concretos que permitam enunciar datas e formas de povoamento, parece ser de fácil aceitabilidade o facto de Trancoso ter sido, provavelmente, um lugar fortificado na época castreja, dadas as suas características geomorfológicas. Ocupada pelos povos romanos, a vila possui ainda inegáveis vestígios de estradas e pontes, tendo sido, a partir do século 4, invadida por povos bárbaros que contribuíram para o início da construção de uma estrutura urbana da fortificação e da zona habitada.

Trancoso constituiu, devido a sua posição estratégica, um dos pontos avançados da reconquista cristã para sul. Ocupada pelos árabes desde 983, foi reconquistada por Fernando, o Magno, em 1059, e por D. Afonso Henriques em 1160, que prometeu edificar o Mosteiro de São João de Tarouca como preito da vitória e lhe atribui foral. As sucessivas investidas dos mouros arruinaram-na, pelo que D. Sancho I a mandou repovoar, concedendo-lhe um foral que foi confirmado por D. Afonso II em 1217, e em 1391 por D. João I.” (…)

O castelo medieval de Trancoso: doado à Ordem do Tempo em 1185

O castelo medieval de Trancoso: doado pelo Condado Portucalense à Ordem do Templo em 1185

“Foi sobretudo após da definição das fronteiras entre Portugal e Castela que a praça-forte se tornou vital, propiciando estruturação e crescimento de aglomerado. D. Dinis mandou construir as muralhas com cerca de um quilômetro de perímetro, fundou a feira franca e concedeu privilégios especiais à povoação, que foi integrada no dote da rainha, tendo celebrado na vila de Trancoso seu casamento, em 1282, com a princesa D. Isabel de Aragão. (…)

A história de Trancoso anda profundamente ligada à de Portugal. Situada próximo da fronteira, a terra assistiu a diversas lutas e acontecimentos marcantes. Foi em Trancoso que se deu a célebre Batalha de São Marcos, na qual foram desbaratados os castelhanos e preparada a grande Batalha de Aljubarrota. O desfecho do combate contribuiu notavelmente para a consolidação da autoridade do Mestre de Aviz e subsequente triunfo da causa portuguesa nele personificada.” (…)

A ‘velhinha, nobre e sempre noiva’ vila de Trancoso encontra-se ainda hoje rodeada de muralhas da época dinisiana, com um belo castelo também medieval a coroar esse majestoso conjunto fortificado. Construído sobre um hipotético castro pré-romano, esse castelo pertencia, em 960, a D. Chamoa Rodrigues, tendo passado em 1097 para o Condado Portucalense.

Em 1185, o castelo é doado à Ordem do Templo, restaurado nos séculos 7 e 14 e acrescentado no século 16, sendo constituído por uma cerca de muralhas com cinco torres, onde se abrem quatro portas de aceso à vila que fechavam com sistema de guilhotina (Porta de El-Rei, do Prado, de São João e dos Carvalhos) e por uma torre de menagem que se situa na cidadela. (…) Este castelo constituía um dos vértices do triângulo principal do sistema defensivo da Beira, constituindo os outros dois pontos, os castelos de Celorico e da Guarda.”

O centro histórico da vila: testemunhas de muitos acontecimentos marcantes

O centro histórico da vila: testemunha de muitos acontecimentos marcantes

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

O CORAÇÃO DA ORDEM DO TEMPLO

Eis a charola do Convento de Cristo, em Tomar, o mais bem preservado monumento templário em toda a Europa. Assim, vista de fora, não dá para perceber direito, mas trata-se de uma rotunda octogonal, claramente inspirada na da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Tem a altura de um prédio de três andares. E sua estrutura ainda é a original, do século 12.

A charola vista do lado de fora do Convento de Cristo: rotunda octogonal com a altura de um prédio de três andares

A charola vista de fora: rotunda octogonal com a altura equivalente a de um prédio de três andares

O site oficial do convento descreve assim o oratório: “A charola do Convento de Cristo, célebre por ser, na sua origem, um dos mais extraordinários exemplos da arquitectura templária, pertence à campanha de obras românica e gótica, dos séculos 12 e 13. Trata-se de um edifício poligonal, com oito faces no tambor central, desdobradas em 16 faces no exterior, que pretende reproduzir idênticos edifícios de planta centralizada, conhecidos dos templários e inspirados na Igreja do Santo Sepulcro de Jerusalém. Concluída no século 12, possuía porta a nascente que se manteve em funcionamento até a reforma manuelina.”

Visitantes diante do oratório: inspirado no Santo Sepulcro

Visitantes diante do oratório: inspirado no Santo Sepulcro

“Sob o impulso do Infante D. Henrique, quando este foi governador da Ordem de Cristo (1420-1460), procedeu-se à primeira alteração do edifício, com abertura de dois tramos a poente, de modo a instalar-se aí o coro e a tribuna. Desta época datará também o tubo de órgão de madeira e couro, ainda visível na parede norte da charola.”

A decoração é dos séculos 15 e 16: obra promovida por D. Manuel

Decoração dos séculos 15 e 16: obra promovida por D. Manuel

“A maior campanha de obras é promovida mais tarde por D. Manuel I, entre 1495 e 1521, durante a qual se rasgam completamente dois dos 16 tramos da parede externa, abrindo o espaço a ocidente, através do grande arco triunfal que unirá este espaço à nova igreja manuelina. É desta época, também, o programa decorativo que acentua a riqueza do local. O enriquecimento do programa iconográfico da charola, transformada em capela-mor da nova igreja, incluiu escultura, pintura sobre madeira e sobre couro, pintura mural e estuques.”

Atores no papel de templários: coração da Ordem do Templo

Atores no papel de templários: coração da Ordem do Templo

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados