COIMBRA

Museu Nacional de Machado de Castro

Foto: © Eduardo Lima / Walkabout

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MUSEU DE MACHADO DE CASTRO

Aqui vão 16 fotos inéditas de um dos museus mais incríveis que eu já conheci: o Machado de Castro, em Coimbra. Seu acervo é riquíssimo, composto de milhares de peças de escultura, pintura, cerâmica, ourivesaria e têxteis, algumas com dois mil … Continuar lendo

UMA JÓIA DO ROMÂNICO PORTUGUÊS

Esta galeria contém 7 imagens.

Mais algumas imagens da Sé Velha de Coimbra. No post anterior, escrevi que a catedral guarda em seu interior obras de arte e ornamentos religiosos de valor inestimável. Faltou dizer também que ela é uma preciosidade arquitetônica, tanto por dentro … Continuar lendo

UMA VISITA AO MACHADO DE CASTRO, COIMBRA

A Última Ceia de Hodart esmiuçada pelo programa Visita Guiada, da RTP2. Quem explica a importância da obra e discorre sobre a vida do misterioso escultor é a diretora do Museu Nacional de Machado de Castro, Ana Alcoforado. São 30 minutos de excelente bate-papo entre ela e a apresentadora, Paula Moura Pinheiro. Minha sugestão: assista ao episódio agora e torne a vê-lo antes de visitar o museu. Sua experiência será outra, bem mais profunda e prazerosa

A ÚLTIMA CEIA DE HODART

O Museu Nacional de Machado de Castro, em seu site oficial, refere-se à Última Ceia de Filipe Hodart como uma das mais impressionantes obras de escultura do Renascimento europeu. “Hodart retratou figuras populares, identificadas na época com personagens conhecidas no quotidiano do Mosteiro de Sta Cruz, para o qual a obra foi executada. Eram mendigos ou trabalhadores das obras que aí decorriam.”

São Pedro, um dos únicos três apóstolos identificados; os outros dois são judas e São João

São Pedro, um dos únicos três apóstolos identificados: os outros dois são judas e São João

As figuras são realistas: inspiradas em mendigos e trabalhadores

As figuras são realistas: inspiradas em mendigos

“As figuras estão dotadas de um realismo e uma violência de expressões surpreendentes: barbas encrespadas, boca entreaberta, dentes à mostra, troncos delgados, pés grandes e um pouco desproporcionados, roupagens agitadas, com um sopro de paixão e dramatismo. Todo o conjunto explode de vivacidade, revelando uma das personalidades mais impetuosas do renascimento português.”

Um dos apóstolos não identificados: vivacidade e dramatismo

Um dos apóstolos não identificados: vivacidade e dramatismo

A mesma figura

A mesma figura

“As figuras apresentam-se sentadas, quase completas, embora mutiladas, apresentando algumas delas só já o tronco e a cabeça ou mesmo só a cabeça. A originalidade e a importância do conjunto residem particularmente no tratamento formal concedido às figuras, um trabalho claramente precoce no tempo, uma vez que anuncia elementos maneiristas e participa de alguns princípios do Barroco, nomeadamente em relação à expressividade e dinamismo que apresentam.”

Outro apóstolo desconhecido: trabalho precoce no tempo

Outro apóstolo desconhecido: trabalho precoce no tempo

Mais um ilustre desconhecido: expressividade e dinamismo

Mais um ilustre desconhecido: expressividade e dinamismo

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

APÓSTOLO DESCONHECIDO

APÓSTOLO DESCONHECIDO

Peço licença aos leitores, de novo, para dar uma escapadinha do tema central deste blog. Motivo: o Museu Nacional de Machado de Castro, embora esteja colado à Universidade de Coimbra, não é patrimônio da humanidade. Mas deveria ser. E eu … Continuar lendo

UM PASSEIO COMPLETO PELA UC

Este é o vídeo oficial produzido para a candidatura da Universidade de Coimbra a patrimônio mundial. Um belo passeio não apenas pelos lugares mais importantes da instituição, mas também pela Alta da cidade e pela Rua da Sofia, igualmente tombadas pela Unesco em 2013.

Nos próximos posts, deixaremos Coimbra para trás e seguiremos para a região de Castelo Rodrigo, que foi minha base para a exploração das gravuras rupestres do Vale do Côa durante a press trip que o Turismo do Centro de Portugal organizou para mim no último mês de setembro. Mas voltarei a publicar imagens e textos sobre a universidade, a Alta e o espetacular Museu Nacional de Machado de Castro muito em breve.

ARQUEOLOGIA ROMANA

Mais duas fotos do acervo de arqueologia romana do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra. O primeiro retrato é de Trajano, imperador de Roma entre os anos de 98 e 117 da Era Cristã. No site do museu, lê-se o seguinte:

“Também encontrada no criptopórtico, esta representação de Trajano, coroado de louros, é um retrato feito em vida do imperador. O artista, provincial, segue de perto o tipo Coroa Cívica e transmite, de forma rude, mas expressiva, a forte personalidade do Optimus Princeps. Tal como as cabeças anteriores, este retrato é esculpido em mármore de Estremoz – Vila Viçosa.”

Retrato de Trajano: esculpido em vida, entre os séculos 1 e 2

Retrato de Trajano: esculpido em vida, entre os séculos 1 e 2

O segundo busto é de Agripina, sogra do imperador Cláudio e avó de Nero. Sobre essa peça, o MNMC escreve assim:

“Este retrato, certamente proveniente da basílica, foi encontrado nos entulhos do criptopórtico. Fazia parte de um programa político de renovação urbanística de Aeminium e exaltação da família imperial. A sua atribuição aos anos 40 d.C. concorda com a datação claudiana proposta para a construção do fórum. Agripina (…) surge aqui representada por um artista provincial, copiando um modelo itálico, do chamado tipo Capitólio-Veneza.”

Agripina, avó de Nero: uma das peças de que mais gosto

Agripina, avó de Nero: uma das peças de que mais gosto

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

VESTÍGIOS DE UMA NECRÓPOLE

As fotos reunidas aqui são de duas peças provenientes da antiga necrópole de Aeminium, como era chamada a cidade de Coimbra na época do Império Romano. Nas duas primeiras imagens, o que se vê é uma árula – em outras palavras, um pequeno altar funerário. O Museu Nacional de Machado de Castro descreve assim o artefato:

“Procedente das destruições da zona do castelo, esta pequena ara foi consagrada aos deuses Manes, em memória de Vagelia Rufina Júnior, por seu avô, Álio Avito, e seu pai, Silvânio Silvano. A ausência de menção à idade da menina e a descoberta, no lugar da mesma necrópole, de um cipo funerário dedicado pelos dois homens à memória de Ália Vagelia Ávita, de 26 anos, mostra que a criança não sobreviveu por muito tempo ao desaparecimento da mãe ou que ambas morreram no parto.

Os nomes da jovem mãe e do seu pai remetem para famílias ricas da sociedade emineense com uma dupla origem indígena e romana. Vagellia é mesmo nome de uma gens da península itálica. Outras inscrições funerárias encontradas em Conimbriga provam que as mesmas famílias existiam nas duas cidades vizinhas. Aliás, a tipologia dos monumentos e o calcário de Ançã de que são feitos sugerem uma oficina comum.”

Altar funerário do Museu de Machado de Castro

Altar funerário do Museu de Machado de Castro

O mesmo altar um pouco mais de perto

O mesmo altar um pouco mais de perto

A terceira imagem mostra uma urna encontrada no mesmo sítio e dedicada a um romano de nome Aurélio Rufino. Demais, não é verdade? Tudo isso fica exposto na área que os especialistas chamam de criptopórtico, uma galeria de dois pisos que sustentava o fórum de Aeminium. Pois é: o museu tem como “alicerce” uma estrutura dos tempos da Roma Antiga. E não é uma estrutura qualquer. Trata-se do maior edifício romano preservado em Portugal.

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Urna funerária dedicada a um romano de nome Aurélio Rufino

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

MUSEU DE MACHADO DE CASTRO

Logo na minha primeira manhã em Coimbra, fui conhecer o Museu Nacional de Machado de Castro. Programaço. Vá por mim, é visita obrigatória, ainda que você não seja lá muito fã de museus. Primeiro, porque seu acervo é espetacular, entre arqueologia, escultura, pintura, cerâmica, ourivesaria, mobiliário e muito mais. Depois, porque ele fica no coração da Alta, bem ao lado da Sé Nova. Além disso, seu restaurante – o Loggia – tem boa comida e vistas melhores ainda. É por essas e outras que o Machado de Castro entra fácil na lista dos cinco museus mais legais que eu já visitei.

Começo aqui uma série de pelo menos quatro posts sobre o acervo arqueológico do MNMC. Para ser mais exato, sobre Aeminium, a cidade romana que, há cerca de 2 mil anos, existia onde hoje fica Coimbra. A prova mais eloquente de que esse realmente era o seu nome está na rocha das fotos. Trata-se da Lápide Honorífica. Perceba que, na sua parte inferior (foto 2), dá para ler com todas as letras a palavra AEMINIENS, referência explícita aos cidadãos de Aeminium. Em seu site, o museu escreve o seguinte:

“Descoberta em 1888, esta lápide – dedicada pela cidade de Aeminium ao dileto príncipe Flávio Valério Constâncio, nascido para o bem e progresso da República, pio, feliz, invicto, augusto, pontífice máximo, com o poder tribunício, pai da pátria, procônsul – tem a maior importância para Coimbra. Antes de mais, por ter confirmado documentalmente o seu nome romano; em segundo lugar, porque a data de 305-306, que os atributos do imperador estabelecem para a dedicatória, sugere que a grande benfeitoria concedida por Constâncio Cloro possa ter sido a construção da muralha. De entre as hipóteses possíveis, esta é a mais plausível pela concordância da datação com os factos históricos conhecidos para a Lusitânia.”

Coimbra

Lápide Honorífica: prova do nome romano de Coimbra

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Na parte inferior da lápide, que foi descoberta em 1888, lê-se claramente a palavra “aeminiens”

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados