MUSEU DO CÔA

Novidade no Museu do Côa: desde o início de abril, os visitantes têm a sua disposição o serviço de áudio-guia, cujos conteúdos, segundo a direção do museu, foram “inteiramente validade pela equipa de investigação da Fundação Côa Parque”. Legal, né? … Continuar lendo

RETRATOS DO DOURO

Ao se deslocar entre Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa, o viajante nem percebe que tem o Rio Douro como companhia em boa parte do tempo. Não dá para vê-lo do carro durante quase todo o trajeto. Mas acredite, ele está logo ali, atrás de uma sequência aparentemente interminável de quintas. Da beira da estrada, só é possível avistá-lo quando a gente se aproxima da desembocadura do Côa. Uma dica: resolva esse “problema” visitando a Quinta de Castelo Melhor, propriedade da Duorum debruçada sobre a margem esquerda do rio (mais ou menos na metade do caminho). Ela proporciona vistas espetaculares, especialmente do trecho mais próximo à foz da Ribeira de Aguiar, junto à vizinha Quinta da Granja.

O rio visto da Quinta de Castelo Melhor: uma paisagem deslumbrante

O Douro visto da Quinta de Castelo Melhor: meio do caminho entre Castelo Rodrigo e Foz Côa

De novo, o visual do Douro junto à desembocadura do Côa: sequ^ncia interminável de quintas

De novo, o visual junto à desembocadura do Côa: sequência interminável de quintas

Perto da foz do Rio Côa: foto clicada da beira da estrada

Perto da foz do Rio Côa: foto clicada da beira da estrada

Visual junto à margem esquerda do Douro: de dentro da Quinta de Castelo Melhor.

No fundo do vale, Quinta de Castelo Melhor: quietude absoluta e sensação de isolamento

A paisagem do Douro desde o Museu do Côa: provavelmente a mais bela região vinícola do mundo

O Douro desde o Museu do Côa: duplamente patrimônio da humanidade

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

ENTRE CASTELO RODRIGO E FOZ CÔA

Esta galeria contém 6 imagens.

Quem acompanha este blog já leu, mais de uma vez, que fiz de Castelo Rodrigo minha base para as visitas ao museu e às gravuras pré-históricas do Côa. Isso me obrigou a percorrer meia dúzia de vezes, ida e volta, os 30 e … Continuar lendo

HISTÓRIAS DE FRONTEIRA

Castelo Rodrigo, uma das 12 aldeias históricas de Portugal. Fiz dela minha base, em setembro do ano passado, para as visitas ao Museu do Côa e às gravuras rupestres de Penascosa e da Ribeira de Piscos. O lugar é descrito assim no site Visit Portugal:

“Do topo de uma colina, a pequena aldeia de Castelo Rodrigo domina o planalto que se estende para Espanha, a leste, até ao vale profundo do Douro, a norte. Segundo a tradição, fundou-a Afonso IX de Leão, para doá-la ao conde Rodrigo Gonzalez de Girón, que a repovoou e lhe deu o nome. Com o Tratado de Alcanices, assinado em 1297 por D. Dinis de Portugal, rei e poeta, passou para a coroa portuguesa.

Castelo Rodrigo conserva as marcas de alguns episódios de disputa territorial. O primeiro deu-se menos de 100 anos após sua integração a Portugal, durante a crise dinástica de 1383-1385. D. Beatriz, única filha de D. Fernando de Portugal, estava casada com o rei de Castela. Por morte de seu pai, e com sua subida ao trono, Portugal perderia sua independência em favor de Castela. Castelo Rodrigo tomou partido por D. Beatriz, mas D. João, Mestre de Avis, veio a vencer os castelhanos na Batalha de Aljubarrota, em 1385 – e, por esse feito, foi coroado rei de Portugal com o nome de D. João I.

Como represália pelos senhores de Castelo Rodrigo terem tomado o partido por Castela, o novo rei ordenou que o escudo e as armas de Portugal fossem representados em posição invertida no seu brasão de armas. Mais tarde, no século 16, quando Filipe II de Espanha anexou a Coroa Portuguesa, o governador Cristóvão de Moura tornou-se defensor da causa de Castela, vindo a sofrer a vingança da população que lhe incendiou o enorme palácio em 10 de dezembro de 1640, logo que lá chegou notícia da Restauração (ocorrida a 1º de dezembro), ficando desta história antiga as ruínas no alto do monte, junto ao castelo.

Lugar de passagem dos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela, contam as lendas que o próprio São Francisco de Assis aqui teria pernoitado na sua peregrinação ao túmulo do santo. Revolvida à sua quietude, Castelo Rodrigo merece uma visita pelas suas glórias passadas, pela beleza e limpidez do lugar, pelo seu casario intramuros, pelo seu pelourinho manuelino e ainda pela comovente imagem de Santiago Matamouros guardada na Igreja do Reclamador.”

Aldeias Históricas

Castelo Rodrigo: no topo de uma colina com 820 m de elevação

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

TESOUROS DO CÔA

O museu e a arte paleolítica do Vale do Côa em um programada com mais de uma hora de duração, produzido e exibido pela RTP em 2011. Quem conduz a incursão ao mais importante conjunto de arte pré-histórica ao ar livre do mundo – além da apresentadora, Paula Moura Pinheiro – são os arqueólogos Dalila Correia, Thierry Aubry e António Martinho Baptista e o cineasta João Trabulo.

ARTE PRIMITIVA. PRIMITIVA?

De volta ao Parque Arqueológico do Côa para uma rápida visita ao núcleo de arte pré-histórica da Ribeira de Piscos. Dei um azar danado quando lá estive, em setembro do ano passado. Tempo ruim, com chuvisco indo e vindo a todo instante, e uma luz difusa que me proporcionava quase nada de contraste. Algumas gravuras, como a dos cavalos com as cabeças enlaçadas da rocha 1, estavam bem “sujas”, cobertas de sedimentos por causa dos aguaceiros nos dias anteriores. Resultado: fotos muito ruins. Publicáveis, só a do auroque da rocha 13, mostrada aqui em novembro, e mais meia dúzia ou um pouco mais. Quatro dessas eu reúno neste post.

Visual perto da foz da Ribeira de Piscos, que desagua no Côa

Visual do Côa nas proximidades da foz da Ribeira de Piscos: escola paleolítica de Belas Artes

Pesquisando na web, fui parar no blog PhotoArch, que escreve assim sobre a Ribeira de Piscos: “Os critérios que permitiram datar esse vasto conjunto artístico foram vários. No caso do Paleolítico Superior (que, em Portugal, corresponde ao período compreendido entre cerca de 30 mil e 10 mil anos antes do presente), recorreu-se em primeiro lugar à identificação das espécies figuradas. O cavalo e o auroque (o antepassado selvagem dos actuais bois domésticos), omnipresentes no Côa, são também espécies muito importantes na arte parietal paleolítica das grutas franco-cantábricas [Altamira e Lascaux, entre outras].”

O auroque da rocha 2, mais famosa pela pela figura humana da qual não tenho uma só foto publicável

O auroque da rocha 2: famosa pela figura humana da qual não tenho uma única foto publicável

Aproveito para reproduzir também alguns trechos de um texto do qual gosto muito, escrito por Luís Miguel Queirós para o Público em 2012:

“Como toda a arte paleolítica, as gravuras do Côa obedecem a representações estereotipadas – os animais são quase sempre figurados do mesmo modo, mesmo naqueles raros detalhes em que se afastam ligeiramente dos seus modelos vivos, como nas barrigas um nadinha acentuadas. Mas essa homogeneidade não significa que a sua execução estivesse ao alcance de qualquer um. A indiscutível perícia dos artistas do Côa sugere algum tipo de formação, de discipulato. ‘Uma espécie de escola de Belas-Artes’, ri-se [o arqueólogo] António Martinho Baptista [diretor do parque], não sendo todavia certo que o diga inteiramente a brincar.”

O cavalo da rocha 24, que está de perfil, mas encara o observador de frente (algo nada usual entre as gravuras do Côa

O cavalo da rocha 24, que está de perfil, mas nos encara de frente: algo nada usual

“Ao revelarem a existência de uma arte paleolítica ao ar livre produzida em grande escala”, escreve Queirós, “as descobertas no vale do Côa vieram estimular a investigação, e não será de espantar que se venham a fazer novas descobertas noutros locais. Mas, do que se conhece até agora, não há a menor dúvida de que o Côa é um caso único, não só pela concentração de vestígios – encontraram-se até este momento mais de mil rochas gravadas, das quais cerca de metade datarão do Paleolítico –, mas também pela própria qualidade das gravuras. ‘Não quero chamar ao Côa o vale sagrado’, diz Martinho Baptista, ‘mas acho que ali só eram mesmo autorizados a praticar, pelo status social do tempo, artistas a quem fosse reconhecida competência.’”

Perto das rochas 1 e 2: vida que segue entre as gravuras

Perto das rochas 1 e 2: vida que segue entre as gravuras

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

MUSEU DO CÔA

Esse senhor que aparece na foto é um dos maiores especialistas do mundo em arte paleolítica. Seu nome: António Martinho do Carmo Baptista. Ele coordena todo o levantamento arqueológico no Vale do Côa desde 1995. Sabe tudo sobre as gravuras, evidentemente. E foi meu guia particular na visita que fiz ao Museu do Côa em setembro passado. Um privilégio. Não bastasse ser expert no assunto, Baptista é a simpatia em pessoa. Apaixonado pelo que faz, bem-humorado, didático… Enfim, o melhor cicerone que eu poderia desejar. Fiquei devendo mais essa aos meus anfitriões em Portugal, o pessoal do Turismo do Centro.

Baptista, diretor do museu: especialistas em arte paleolítica

Baptista, diretor do museu: especialistas em arte paleolítica

As imagens a seguir são reproduções gigantes de algumas gravuras espalhadas por diferentes sítios arqueológicos do vale. Ficam assim, fosforescentes, porque são iluminadas com luz negra. O museu é espetacular em todos os aspectos, a começar pelo seu projeto arquitetônico. E ainda tem um bom restaurante. Recomendo fortemente a costeleta de vitela mirandesa.

Cabra-montês - Rego de Vide - Rocha 1

Cabra-montês – Rego de Vide – Rocha 1

Veado - Vale de Cabrões - Rocha 1

Veado – Vale de Cabrões – Rocha 1

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Auroque – Fariseu – Rocha 1

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados