ASSOMBRO E DESLUMBRAMENTO

Já que um dos temas do post anterior foi a Igreja de Santa Maria de Belém, convido-os para um rápido passeio pela sua nave central. Este é um dos lugares mais impactantes de Portugal. Quem entra na igreja pela primeira vez corre o risco de, como eu, experimentar uma sensação meio esquisita, mistura de assombro com deslumbramento. As dimensões da nave intimidam, fazem a gente se sentir insignificante. Mas são, ao mesmo tempo, um convite irresistível à exploração.

Nave central da Igreja de Santa Maria de Belém, Mosteiro dos Jerónimos: dimensões que intimidam

Nave central da Igreja de Santa Maria de Belém, em Lisboa: dimensões que intimidam

Santa Maria de Belém é um bom exemplo daquilo que os arquitetos chamam de igreja-salão – ou seja, basicamente constituída de um único e uniforme salão, com naves de mesma altura. Característico do Gótico Tardio, esse estilo de construir igrejas fez escola em Portugal. Foi adotado também em pelo menos outros 10 importantes edificações reliosas do país (entre eles, o Mosteiro de Alcobaça e a Igreja de Santo Antão, em Évora, para citar apenas os declarados patrimônios mundiais pela Unesco).

Janelão com vitral de Abel Manta: intervenção modernista

Janelão com vitral de Abel Manta: intervenção modernista

O website do Mosteiro dos Jerónimos descreve assim a Igreja de Santa Maria de Belém:

“A Igreja apresenta uma planta em cruz latina, composta por três naves à mesma altura (igreja salão), reunidas por uma única abóbada polinervada assente em seis pilares de base circular. Quando se entra, encontram-se os túmulos de Vasco da Gama (sub-coro esquerdo) e de Luís de Camões (sub-coro direito), ambos do século 19, do escultor Costa Mota. Continuando, na parede norte, podem apreciar-se os confessionários e, no lado sul, os janelões decorados com vitrais da autoria de Abel Manta e execução de R. Leone (já do século 20).

A abóbada do cruzeiro cobre, de um só voo, uma largura de 30 metros. Representa “a realização mais acabada da ambição tardo medieval de cobrir o maior vão possível com o mínimo de suportes” (Kubler). Neste espaço livre, em que se encontra toda a simbologia régia, a profusão de ornatos atinge o seu auge. No braço esquerdo do transepto estão sepultados os restos mortais do Cardeal-Rei D. Henrique e os dos filhos de D. Manuel I. No braço direito do transepto encontra-se o túmulo do Rei D. Sebastião e dos descendentes de D. João III.”

O túmulo de Luís de Camões no sub-coro direito, logo na entrada da igreja: obra do século 19 assinada por Costa Mota

O túmulo de Camões no sub-coro direito: obra do século 19 assinada pelo escultor Costa Mota

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

JERÓNIMOS EM BRANCO E PRETO

Esta galeria contém 7 imagens.

Não é exatamente um ensaio, trata-se apenas de um pequeno conjunto de fotos produzidas durante minha breve passagem pelo Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, no início do mês passado. Fiquei menos de duas horas no interior da Igreja de Santa Maria … Continuar lendo

COMANDANTE VASCO

Essa é a arca funenária do comandante Vasco da Gama, o descobridor do Caminho das Índias. Ela fica logo na entrada da Igreja de Santa Maria de Belém. Os poetas Luís de Camões e Fernando Pessoa também têm túmulos no Mosteiro dos Jerónimos, assim como vários reis de Portugal – entre eles, D. Manuel I. Fotografar esses locais não é nada fácil. Há sempre um número absurdo de turistas envolta deles. Não adianta nem chegar bem cedo para ser o primeiro visitante do dia. Eu tentei. Era uma sexta-feira de fevereiro e eu estava na porta do mosteiro às 9h30, meia hora antes da sua abertura para visitação. Junto comigo, uns 2 ou 3 ônibus de estudantes colegiais.

O túmulo de Vasco da Gama fica logo na entrada da Igreja de Santa Maria de Belém

O túmulo de Vasco da Gama fica logo na entrada da Igreja de Santa Maria de Belém

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

AQUEDUTO DA ÁGUA DE PRATA

Aqueduto da Água de Prata, em Évora. Inaugurado em 1537, durante o reinado de D. João III, ele funciona até hoje, levando água desde as nascentes do Divor até o centro da cidade. É considerado a mais importante estrutura hidráulica construída em Portugal durante o século 16. Dos seus 19 quilômetros de extensão, cerca de 8 quilômetros podem ser percorridos a pé – uma caminhada bem bacana, ainda que um pouco sofrida quando feita sob o sol do verão alentejano.

O poeta Luís Vaz de Camões fez referência ao aqueduto em sua obra mais conhecida, Os Lusíadas. Na estrofe 63 do Canto III, ele escreveu assim:

Eis a nobre cidade, certo assento

Do rebelde Sertório antiguamente;

Onde ora as águas nítidas de argento,

Vem sustentar de longe a terra, e a gente;

Pelos arcos reaes, que cento e cento

Nos ares se alevantam nobremente;

Obedeceu por meio e ousadia

De Giraldo, que medos não temia

Dos 19 km do aqueduto, entre as nascentes do Divor e o centro de Évora, cerca de 8 km podem ser percorridos a pé

Dos 19 km de extensão do aqueduto, cerca de 8 km podem ser percorridos a pé

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados