A LISTA

Sabe quais são os lugares de Portugal que podem virar patrimônio da humanidade em breve? A lista indicativa do país ao título concedido pela UNESCO foi definida há quase um ano, em maio de 2016, e é composta de 22 bens. … Continuar lendo

FÁBULAS DO MONDEGO

No post anterior, escrevi sobre a suposta origem romana e medieval do nome Mondego, o rio que atravessa a cidade de Coimbra. Mas não tratei de uma lenda luso-mourisca que também pode explicá-lo. Segundo essa narrativa, a palavra seria derivada … Continuar lendo

RIO MONDEGO

Coimbra não teria o mesmo encanto se não fosse o Mondego, quinto maior rio português, com mais de 250 quilômetros de extensão, e primeiro do ranking entre aqueles que têm seu curso inteiramente em Portugal. Dizem que seu nome vem … Continuar lendo

TEMPLO ROMANO

Aqui vão três fotos inéditas do Templo Romano de Évora, todas clicadas à noite durante minha passagem pelo Alentejo em outubro do ano passado. Aproveito para reproduzir a seguir dois pequenos textos relativos ao monumento e publicados no excelente livro … Continuar lendo

A VISTA DO JARDIM DE DIANA

Eis aqui duas das grandes atrações de Évora, cujo centro histórico foi declarado patrimônio mundial pela UNESCO em 1986. No primeiro plano, o que se vê é um pedaço do Templo Romano, com suas belas – e muito bem preservadas … Continuar lendo

AUTÊNTICA E MONUMENTAL

AUTÊNTICA E MONUMENTAL

Entre os próximos dias 29 de setembro e 9 de outubro, estarei em Évora, para mais uma rodada de fotos do seu centro histórico. Essa será minha segunda visita à cidade. Já estive lá em 2012. E guardo maravilhosas recordações. … Continuar lendo

FORTALEZA MEDIEVAL

Duas, três horas no máximo. Esse foi todo o tempo que eu tive para fotografar Castelo Mendo. Uma lástima. Se pudesse, passaria dois, três dias inteiros zanzando pela aldeia. Reconheço que há um pouco de exagero nisso. Para o viajante que não seja assim, tão escravo de uma câmera quanto eu, uma day trip – ou meia – talvez já resolva bem a questão. O lugar é bem pequeno, tem mais ou menos 120 habitantes. Em meia hora, dá-se uma volta completa.

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O povoado de Castelo Mendo: vestígios de ocupação desde a Idade do Bronze

Casa típica da aldeia: vi mais gatos do que gente na minha visita

Casa típica da aldeia: vi mais gatos do que gente na minha visita

No site Aldeias Históricas de Portugal, consta o seguinte sobre Castelo Mendo:

“Concelho de fundação medieval, com foral concedido em 1229 por D. Sancho II, Castelo Mendo virá a perder esse estatuto de centro urbano com a reforma administrativa liberal de 1855. Apesar de o local ter conhecido ocupação desde a Idade do Bronze e mostrar vestígios da presença romana, a estrutura fortificada e o modelo urbanístico caracterizadores de Castelo Mendo são uma criação medieval concebida para enfrentar as necessidades impostas pela Reconquista Cristã nos séculos 12 e 13: promover o repovoamento dos territórios muçulmanos anexados ao reino português e sustentar as disputas territoriais fronteiriças com os reinos cristãos de Leão e Castela na região de Ribacôa.

A partir do século 14, estabilizada a fronteira com o Tratado de Alcanizes, em 1297, Castelo Mendo continuará a integrar a rede de fortificações que defendem a raia beirã. Este sistema defensivo medieval só perde a sua eficácia militar com o século 17, período que vê surgir as fortificações modernas.

Por exigência de domínio territorial e de defesa da população aqui estabelecida, o povoado estrutura-se em função dos dispositivos militares. Dois núcleos amuralhados, de épocas construtivas diferentes, configuram Castelo Mendo. No cimo do cabeço rochoso, dominando a paisagem envolvente, situa-se o castelo com dois recintos distintos. O aglomerado civil desenhado em torno da Igreja de Nossa Senhora do Castelo dividido pelo pólo exclusivamente militar, localizado a Este, no ponto mais elevado, onde antes se erguia a torre de menagem.

Com o crescimento da povoação, o primitivo núcleo, supõe-se que mandado edificar por D. Sancho I ou D. Sancho II, é aumentado com nova cerca no reinado de D. Dinis (fim do século 13). Pela encosta se estendeu a vila, nela se organizando a vida da população abraçada pelos muros.”

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Igreja de Nossa Senhora do Castelo: românica, provavelmente construída em 1229

A igreja em ruínas: restauro prevê a criação de um museu

A igreja em ruínas: restauro prevê a criação de um museu

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

CASTELO RODRIGO

CASTELO RODRIGO

Foi esse lugarzinho incrível – uma aldeia histórica a 15 quilômetros da fronteira com a Espanha – que eu usei como base para explorar a região do Vale do Côa e suas gravuras rupestres. A história de Castelo Rodrigo é fascinante. Vai … Continuar lendo

ARQUEOLOGIA ROMANA

Mais duas fotos do acervo de arqueologia romana do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra. O primeiro retrato é de Trajano, imperador de Roma entre os anos de 98 e 117 da Era Cristã. No site do museu, lê-se o seguinte:

“Também encontrada no criptopórtico, esta representação de Trajano, coroado de louros, é um retrato feito em vida do imperador. O artista, provincial, segue de perto o tipo Coroa Cívica e transmite, de forma rude, mas expressiva, a forte personalidade do Optimus Princeps. Tal como as cabeças anteriores, este retrato é esculpido em mármore de Estremoz – Vila Viçosa.”

Retrato de Trajano: esculpido em vida, entre os séculos 1 e 2

Retrato de Trajano: esculpido em vida, entre os séculos 1 e 2

O segundo busto é de Agripina, sogra do imperador Cláudio e avó de Nero. Sobre essa peça, o MNMC escreve assim:

“Este retrato, certamente proveniente da basílica, foi encontrado nos entulhos do criptopórtico. Fazia parte de um programa político de renovação urbanística de Aeminium e exaltação da família imperial. A sua atribuição aos anos 40 d.C. concorda com a datação claudiana proposta para a construção do fórum. Agripina (…) surge aqui representada por um artista provincial, copiando um modelo itálico, do chamado tipo Capitólio-Veneza.”

Agripina, avó de Nero: uma das peças de que mais gosto

Agripina, avó de Nero: uma das peças de que mais gosto

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

VESTÍGIOS DE UMA NECRÓPOLE

As fotos reunidas aqui são de duas peças provenientes da antiga necrópole de Aeminium, como era chamada a cidade de Coimbra na época do Império Romano. Nas duas primeiras imagens, o que se vê é uma árula – em outras palavras, um pequeno altar funerário. O Museu Nacional de Machado de Castro descreve assim o artefato:

“Procedente das destruições da zona do castelo, esta pequena ara foi consagrada aos deuses Manes, em memória de Vagelia Rufina Júnior, por seu avô, Álio Avito, e seu pai, Silvânio Silvano. A ausência de menção à idade da menina e a descoberta, no lugar da mesma necrópole, de um cipo funerário dedicado pelos dois homens à memória de Ália Vagelia Ávita, de 26 anos, mostra que a criança não sobreviveu por muito tempo ao desaparecimento da mãe ou que ambas morreram no parto.

Os nomes da jovem mãe e do seu pai remetem para famílias ricas da sociedade emineense com uma dupla origem indígena e romana. Vagellia é mesmo nome de uma gens da península itálica. Outras inscrições funerárias encontradas em Conimbriga provam que as mesmas famílias existiam nas duas cidades vizinhas. Aliás, a tipologia dos monumentos e o calcário de Ançã de que são feitos sugerem uma oficina comum.”

Altar funerário do Museu de Machado de Castro

Altar funerário do Museu de Machado de Castro

O mesmo altar um pouco mais de perto

O mesmo altar um pouco mais de perto

A terceira imagem mostra uma urna encontrada no mesmo sítio e dedicada a um romano de nome Aurélio Rufino. Demais, não é verdade? Tudo isso fica exposto na área que os especialistas chamam de criptopórtico, uma galeria de dois pisos que sustentava o fórum de Aeminium. Pois é: o museu tem como “alicerce” uma estrutura dos tempos da Roma Antiga. E não é uma estrutura qualquer. Trata-se do maior edifício romano preservado em Portugal.

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Urna funerária dedicada a um romano de nome Aurélio Rufino

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados