MEMÓRIAS DE ARRAIOLOS

Três fotos inéditas de Arraiolos, vila alentejana da qual guardo as melhores recordações. E trechos de um texto sobre sua história extraído do website Memória Portuguesa.

Arraiolos

Cunha Rivara, historiador arraiolense, na sua obra Memórias da Vila de Arraiolos, depois de se referir à nobreza e antiguidade de Arraiolos, bem como a alguns aspectos históricos da sua origem, afirma: “(…) seja como for, tenho por certo que em princípios do século 13 já havia povoação no sítio de Arraiolos”. Certo é também que a abundância de vestígios relacionáveis com o final do Neolítico ou mesmo com o Calcolítico são um sinal de uma significativa ocupação humana a partir do 4º milénio a.C. e, provavelmente, “na proto-História, o grande local de habitat corresponderia já à actual elevação onde se localiza o Castelo de Arraiolos“.

É ainda Cunha Rivara que nos transmite as referências do padre António de Carvalho da Costa, na Corographia Portugueza (tomo 2º, página 525), e do padre Luís Cardoso, no Diccionario Geographico (tomo 1º, página 590), onde atribuem a fundação de Arraiolos a sabinos, tusculanos e albanos, ocupantes que foram da cidade de Évora antes de Sertório e deram o governo de Arraiolos ao capitão Rayeo, nome grego. Deste nome, parece ter então derivado o nome da nossa vila, já que o nome Rayeo se foi denominando Rayolis, Rayeopolis, Arrayolos e hoje Arraiolos.”

Arraiolos

“É em 1217, com a concessão do termo de Arraiolos pelo rei D. Afonso II ao Bispo de Évora, D. Soeiro, e ao cabido da Sé da mesma cidade, que se inicia um novo capítulo da nossa história. Em 1290, Arraiolos recebe o primeiro foral, de D. Dinis, e o mesmo monarca manda edificar o castelo em 1305, sendo que, no dia 26 de dezembro de 1305, o concelho representado por João Anes e Martim Fernandes outorgou com o rei o contrato para a sua feitura.

Arraiolos foi condado de D. Nuno Álvares Pereira – segundo conde de Arraiolos – a partir do ano de 1387. Antes de recolher ao Convento do Carmo, em Lisboa, o condestável do reino permaneceu aqui longos períodos da sua vida. Em 1511, recebe foral novo de D. Manuel.”

Arraiolos

Fotos: © Eduardo Lima / Walkabout

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MUNDO DO VINHO

Está para ser criado em Vila Nova de Gaia, nos antigos armazéns da Taylor’s, um complexo turístico, cultural e comercial que promete ser incrível. É isso, pelo menos, o que informa uma reportagem publicada em junho passado pelo site português Idealista. Trata-se, segundo a reportagem, de um projeto do grupo The Fladgate Partnership, detentor das marcas de vinho do porto Taylor´s, Croft, Fonseca e Krohn. O investimento previsto é de 100 milhões de euros. Com inauguração prevista para 2020, o espaço será enorme, cerca de 30 mil metros quadrados. E já tem até nome: vai se chamar WoW (World of Wine, ou Mundo do Vinho). Ele irá abrigar, entre outras atrações, uma escola de vinhos, 12 restaurantes, exposições temporárias e cinco museus temáticos – todos sobre a vitivinicultura portuguesa, é lógico.

Rabelos, ponte D. Luís e Ribeira do Porto vistos de Gaia

Aproveitando a deixa da notícia, publico neste post quatro fotos inéditas de Vila Nova de Gaia. Para ler a reportagem do Idealista, clique aqui.

Vila Nova de Gaia

Vila Nova de Gaia

Vila Nova de Gaia

Fotos: © Eduardo Lima / Walkabout

EXCELÊNCIA ABSOLUTA

“Um patrimônio arquitetônico de excelência absoluta”. É assim que uma reportagem da RTP define o claustro principal do Convento de Cristo, em Tomar, declarado patrimônio da humanidade em 1983. Reúno a seguir sete fotos inéditas do local. Para assistir à … Continuar lendo

LEVADA DO FURADO

A Ilha da Madeira é repleta de levadas. Nunca ouviu falar? Eu explico: levadas são caminhos ou trilhas que beiram quilômetros de canais de irrigação construídos há muito tempo; e que hoje, sem exagero, formam um dos mais extraordinários circuitos de trekking … Continuar lendo

LUZ DE OUTUBRO

LUZ DE OUTUBRO

Seis e meia, sete horas da manhã. E luz de outubro, só que de três anos atrás, 2015. Antes, bem antes do horário de abertura do monumento ao público. Portanto, sem multidões. Foi esse o contexto da foto que se … Continuar lendo

LUGAR DE MEMÓRIA

LUGAR DE MEMÓRIA

Mosteiro da Batalha, patrimônio mundial desde 1983. A Comissão Nacional da UNESCO em Portugal descreve assim o monumento: “Para a manutenção da independência do reino português, a vitória dos exércitos de D. João I sobre as tropas de Castela, teve um … Continuar lendo

CIDADE-QUARTEL FRONTEIRIÇA

CIDADE-QUARTEL FRONTEIRIÇA

Elvas, patrimônio mundial desde 2012. Estive lá duas vezes. E espero voltar outras tantas. No website da Comissão Nacional da UNESCO, ligado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, lê-se assim sobre a cidade: A cidade de Elvas, situada a … Continuar lendo

PROVESENDE

Há seis anos, quando fui pela primeira vez ao Douro, acabei passando pela aldeia de Provesende – mais ou menos 10 quilômetros do Pinhão, onde fiquei hospedado por mais de uma semana. A aldeia não estava nos meus planos. Mas quem resiste … Continuar lendo

GÊNESE DA MONARQUIA

Cinco fotos do Mosteiro de Alcobaça, todas inéditas aqui no blog. E um texto sobre ele disponível na plataforma educacional da RTP. Portugal ainda não era um reino, D. Afonso Henriques ainda não era rei, mas o jovem príncipe queria as duas … Continuar lendo

MISTO DE LENDA E HEROÍSMO

Castelo de Guimarães, patrimônio mundial desde 2001 e eleito, em 2007, uma das sete maravilhas de Portugal. No website Visit Portugal, a gente lê assim sobre o monumento:

O Castelo de Guimarães, situado no Monte Largo – “alpis latitus”, no latim de documentos da época – evoca o misto de lenda e heroísmo que envolve o início da história de Portugal. Mumadona, condessa galega, mandou construir neste local, cerca do ano 968, um castelo onde a população se pudesse refugiar dos constantes assaltos de hordas de vikings, vindos dos mares do norte da Europa, e dos muçulmanos que acorriam dos territórios que ocupavam a sul.

Castelo de Guimarães

Quando o Conde Henrique recebeu de seu sogro, Afonso VI de Leão, o governo da província portucalense, mandou construir outra edificação mais ampla e sólida, que constituiu o início do importante conjunto defensivo que vemos hoje, dominado pela torre de menagem. Embora o facto não esteja documentado, é provável que o edifício que se encontra encostado à parte interna da muralha norte tenha sido a morada do Conde D. Henrique e local do nascimento de seu filho Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.

Castelo de Guimarães

Ao castelo, liga-se a história militar da fundação do reino nos diversos combates em que Afonso Henriques defrontou, em 1127, seu primo Afonso VII, rei de Leão. Liga-se também à abnegação de seu aio, Egas Moniz, que se ofereceu para fiador da palavra do infante quando este, vendo que não conseguia vencer o cerco de Afonso VII, prometeu constituir-se seu vassalo, tendo renegado a promessa ao sair-se vencedor.

Castelo de Guimarães

Até finais do século 14, no castelo de Guimarães protagonizaram-se heróicos combates para a defesa da integridade do jovem reino de Portugal, abalado por questões dinásticas com Castela que tornavam vulnerável a sua independência. Com o nascimento das novas armas de artilharia, o castelo de Guimarães, como tantos outros, conheceu o início do fim das suas glórias. Abandonado à incúria do tempo e dos homens, veio a ser cuidadosamente restaurado na sua original grandiosidade e beleza na primeira metade do século 20.

Castelo de Guimarães

Fotos: © Eduardo Lima / Walkabout