AS CANHONEIRAS DA TORRE

Quem já esteve na Torre de Belém, declarada patrimônio mundial em 1983, sabe que ela é composta de cinco pavimentos, ou “andares”, aos quais o visitante tem acesso por uma claustrofóbica escada em espiral. Mas a visita não começa pela … Continuar lendo

A GUARDIÃ DO TEJO

A GUARDIÃ DO TEJO

Fim de tarde em Lisboa com céu aberto e um ameaço de pôr do sol. Olhando a foto, nem parece que aquele tinha sido um dia tristemente chuvoso, bem pouco promissor. Mas eu sabia que a chuvarada de horas antes deixaria … Continuar lendo

ASSOMBRO E DESLUMBRAMENTO

Já que um dos temas do post anterior foi a Igreja de Santa Maria de Belém, convido-os para um rápido passeio pela sua nave central. Este é um dos lugares mais impactantes de Portugal. Quem entra na igreja pela primeira vez corre o risco de, como eu, experimentar uma sensação meio esquisita, mistura de assombro com deslumbramento. As dimensões da nave intimidam, fazem a gente se sentir insignificante. Mas são, ao mesmo tempo, um convite irresistível à exploração.

Nave central da Igreja de Santa Maria de Belém, Mosteiro dos Jerónimos: dimensões que intimidam

Nave central da Igreja de Santa Maria de Belém, em Lisboa: dimensões que intimidam

Santa Maria de Belém é um bom exemplo daquilo que os arquitetos chamam de igreja-salão – ou seja, basicamente constituída de um único e uniforme salão, com naves de mesma altura. Característico do Gótico Tardio, esse estilo de construir igrejas fez escola em Portugal. Foi adotado também em pelo menos outros 10 importantes edificações reliosas do país (entre eles, o Mosteiro de Alcobaça e a Igreja de Santo Antão, em Évora, para citar apenas os declarados patrimônios mundiais pela Unesco).

Janelão com vitral de Abel Manta: intervenção modernista

Janelão com vitral de Abel Manta: intervenção modernista

O website do Mosteiro dos Jerónimos descreve assim a Igreja de Santa Maria de Belém:

“A Igreja apresenta uma planta em cruz latina, composta por três naves à mesma altura (igreja salão), reunidas por uma única abóbada polinervada assente em seis pilares de base circular. Quando se entra, encontram-se os túmulos de Vasco da Gama (sub-coro esquerdo) e de Luís de Camões (sub-coro direito), ambos do século 19, do escultor Costa Mota. Continuando, na parede norte, podem apreciar-se os confessionários e, no lado sul, os janelões decorados com vitrais da autoria de Abel Manta e execução de R. Leone (já do século 20).

A abóbada do cruzeiro cobre, de um só voo, uma largura de 30 metros. Representa “a realização mais acabada da ambição tardo medieval de cobrir o maior vão possível com o mínimo de suportes” (Kubler). Neste espaço livre, em que se encontra toda a simbologia régia, a profusão de ornatos atinge o seu auge. No braço esquerdo do transepto estão sepultados os restos mortais do Cardeal-Rei D. Henrique e os dos filhos de D. Manuel I. No braço direito do transepto encontra-se o túmulo do Rei D. Sebastião e dos descendentes de D. João III.”

O túmulo de Luís de Camões no sub-coro direito, logo na entrada da igreja: obra do século 19 assinada por Costa Mota

O túmulo de Camões no sub-coro direito: obra do século 19 assinada pelo escultor Costa Mota

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

PRAÇA DA REPÚBLICA

PRAÇA DA REPÚBLICA

Fiquei tanto tempo sem passar pelo Alentejo aqui no blog que agora não quero mais ir embora. Semana passada, Évora. Esta semana, Elvas. E começo esta nova série de posts não pelas fortalezas que lhe valeram o título de patrimônio … Continuar lendo

IGREJA DE SÃO FRANCISCO

IGREJA DE SÃO FRANCISCO

O edifício que aparece em destaque nesta foto, no segundo plano, é a Igreja de São Francisco, um dos monumentos mais importantes de Évora. Ela foi construída entre os anos de 1480 e 1510 pelos mestres Martim Lourenço e Pero de … Continuar lendo

COLÉGIO DE SÃO PEDRO

COLÉGIO DE SÃO PEDRO

Todo mundo que visita Coimbra conhece essa fachada. Afinal, ela fica no coração da universidade, voltada para o Paço das Escolas. É o Colégio de São Pedro, aquele edifício imenso à direita de quem olha a Via Latina de frente. … Continuar lendo

O CORAÇÃO DA ORDEM DO TEMPLO

Eis a charola do Convento de Cristo, em Tomar, o mais bem preservado monumento templário em toda a Europa. Assim, vista de fora, não dá para perceber direito, mas trata-se de uma rotunda octogonal, claramente inspirada na da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Tem a altura de um prédio de três andares. E sua estrutura ainda é a original, do século 12.

A charola vista do lado de fora do Convento de Cristo: rotunda octogonal com a altura de um prédio de três andares

A charola vista de fora: rotunda octogonal com a altura equivalente a de um prédio de três andares

O site oficial do convento descreve assim o oratório: “A charola do Convento de Cristo, célebre por ser, na sua origem, um dos mais extraordinários exemplos da arquitectura templária, pertence à campanha de obras românica e gótica, dos séculos 12 e 13. Trata-se de um edifício poligonal, com oito faces no tambor central, desdobradas em 16 faces no exterior, que pretende reproduzir idênticos edifícios de planta centralizada, conhecidos dos templários e inspirados na Igreja do Santo Sepulcro de Jerusalém. Concluída no século 12, possuía porta a nascente que se manteve em funcionamento até a reforma manuelina.”

Visitantes diante do oratório: inspirado no Santo Sepulcro

Visitantes diante do oratório: inspirado no Santo Sepulcro

“Sob o impulso do Infante D. Henrique, quando este foi governador da Ordem de Cristo (1420-1460), procedeu-se à primeira alteração do edifício, com abertura de dois tramos a poente, de modo a instalar-se aí o coro e a tribuna. Desta época datará também o tubo de órgão de madeira e couro, ainda visível na parede norte da charola.”

A decoração é dos séculos 15 e 16: obra promovida por D. Manuel

Decoração dos séculos 15 e 16: obra promovida por D. Manuel

“A maior campanha de obras é promovida mais tarde por D. Manuel I, entre 1495 e 1521, durante a qual se rasgam completamente dois dos 16 tramos da parede externa, abrindo o espaço a ocidente, através do grande arco triunfal que unirá este espaço à nova igreja manuelina. É desta época, também, o programa decorativo que acentua a riqueza do local. O enriquecimento do programa iconográfico da charola, transformada em capela-mor da nova igreja, incluiu escultura, pintura sobre madeira e sobre couro, pintura mural e estuques.”

Atores no papel de templários: coração da Ordem do Templo

Atores no papel de templários: coração da Ordem do Templo

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

TESOURO UNIVERSAL

Episódio da série Visita Guiada sobre o claustro principal do Convento de Cristo. “Sem exagero, esta é uma das mais belas peças da arquitetura europeia do Renascimento”, diz a apresentadora, Paula Moura Pinheiro, logo na abertura do programa. “Mas este claustro é muito mais que um tesouro universal da arte do Renascimento. É a construção que rompe de vez com o nacionalismo de D. Manuel I e abre Portugal ao cosmopolitismo do Renascimento.”

OS CICLISTAS DA BATALHA

OS CICLISTAS DA BATALHA

Um momento meio mágico no Mosteiro da Batalha, expoente máximo da arte gótica em Portugal. Eu ainda procurava o melhor quadro para a foto quando os dois ciclistas atravessaram a cena. Meu dedo indicador da mão direita instintivamente pressionou o … Continuar lendo

A JANELA MAIS IMPORTANTE DE PORTUGAL

Eis a igreja do Convento de Cristo – sólida, maciça, algo intimidadora. E, na foto seguinte, a Janela do Capítulo, citada em um dos posts anteriores. Ela é considerada a expressão máxima da arquitetura manuelina. Tem esse nome porque fica no edifício que um dia foi a Casa do Capítulo, local onde aconteciam as reuniões gerais de freires e cavaleiros da Ordem de Cristo. Perceba que bem lá no alto, acima até do brasão das Armas de Portugal, está a cruz dos templários. Encomendada por D. Manuel I e desenhada por Diogo de Arruda, essa janela tem mais de 500 anos. Vale uma semana inteira de posts, um para cada detalhe da sua ornamentação. Ainda farei isso aqui.

A igreja do Convento de Cristo, algo intimidadora de tão sólida

A igreja do Convento de Cristo, em Tomar: algo intimidadora de tão sólida e maciça

A Janela do Capítulo, máxima expressão da arquitetura manuelina

A Janela do Capítulo: pura arquitetura manuelina

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados