LEMBRANÇAS DE CASTELO RODRIGO

Vai aqui um conjuntinho de nove fotos feitas por mim em Castelo Rodrigo, aldeia histórica do Centro de Portugal, na visita que fiz ao lugar em 2014. Elas permaneciam inéditas aqui no blog. Senhor, que saudade eu sinto dos dias … Continuar lendo

RIBACÔA

Talvez você nunca tenha ouvido falar dessa região de Portugal. Nesse caso, recomendo fortemente que se informe sobre ela e passe a considerá-la em sua próxima visita ao país. Estive lá em 2014. Desde então, vivo fazendo planos de retornar. … Continuar lendo

DOURO

DOURO

Vista sobre o Rio Douro da Quinta de Castelo Melhor, uma propriedade da João Portugal Ramos. Posso falar? Os vinhos produzidos com as uvas cultivadas aqui são espetaculares. © Foto: Eduardo Lima / Walkabout

FORTALEZA MEDIEVAL

Duas, três horas no máximo. Esse foi todo o tempo que eu tive para fotografar Castelo Mendo. Uma lástima. Se pudesse, passaria dois, três dias inteiros zanzando pela aldeia. Reconheço que há um pouco de exagero nisso. Para o viajante que não seja assim, tão escravo de uma câmera quanto eu, uma day trip – ou meia – talvez já resolva bem a questão. O lugar é bem pequeno, tem mais ou menos 120 habitantes. Em meia hora, dá-se uma volta completa.

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O povoado de Castelo Mendo: vestígios de ocupação desde a Idade do Bronze

Casa típica da aldeia: vi mais gatos do que gente na minha visita

Casa típica da aldeia: vi mais gatos do que gente na minha visita

No site Aldeias Históricas de Portugal, consta o seguinte sobre Castelo Mendo:

“Concelho de fundação medieval, com foral concedido em 1229 por D. Sancho II, Castelo Mendo virá a perder esse estatuto de centro urbano com a reforma administrativa liberal de 1855. Apesar de o local ter conhecido ocupação desde a Idade do Bronze e mostrar vestígios da presença romana, a estrutura fortificada e o modelo urbanístico caracterizadores de Castelo Mendo são uma criação medieval concebida para enfrentar as necessidades impostas pela Reconquista Cristã nos séculos 12 e 13: promover o repovoamento dos territórios muçulmanos anexados ao reino português e sustentar as disputas territoriais fronteiriças com os reinos cristãos de Leão e Castela na região de Ribacôa.

A partir do século 14, estabilizada a fronteira com o Tratado de Alcanizes, em 1297, Castelo Mendo continuará a integrar a rede de fortificações que defendem a raia beirã. Este sistema defensivo medieval só perde a sua eficácia militar com o século 17, período que vê surgir as fortificações modernas.

Por exigência de domínio territorial e de defesa da população aqui estabelecida, o povoado estrutura-se em função dos dispositivos militares. Dois núcleos amuralhados, de épocas construtivas diferentes, configuram Castelo Mendo. No cimo do cabeço rochoso, dominando a paisagem envolvente, situa-se o castelo com dois recintos distintos. O aglomerado civil desenhado em torno da Igreja de Nossa Senhora do Castelo dividido pelo pólo exclusivamente militar, localizado a Este, no ponto mais elevado, onde antes se erguia a torre de menagem.

Com o crescimento da povoação, o primitivo núcleo, supõe-se que mandado edificar por D. Sancho I ou D. Sancho II, é aumentado com nova cerca no reinado de D. Dinis (fim do século 13). Pela encosta se estendeu a vila, nela se organizando a vida da população abraçada pelos muros.”

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Igreja de Nossa Senhora do Castelo: românica, provavelmente construída em 1229

A igreja em ruínas: restauro prevê a criação de um museu

A igreja em ruínas: restauro prevê a criação de um museu

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

RETRATOS DO DOURO

Ao se deslocar entre Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa, o viajante nem percebe que tem o Rio Douro como companhia em boa parte do tempo. Não dá para vê-lo do carro durante quase todo o trajeto. Mas acredite, ele está logo ali, atrás de uma sequência aparentemente interminável de quintas. Da beira da estrada, só é possível avistá-lo quando a gente se aproxima da desembocadura do Côa. Uma dica: resolva esse “problema” visitando a Quinta de Castelo Melhor, propriedade da Duorum debruçada sobre a margem esquerda do rio (mais ou menos na metade do caminho). Ela proporciona vistas espetaculares, especialmente do trecho mais próximo à foz da Ribeira de Aguiar, junto à vizinha Quinta da Granja.

O rio visto da Quinta de Castelo Melhor: uma paisagem deslumbrante

O Douro visto da Quinta de Castelo Melhor: meio do caminho entre Castelo Rodrigo e Foz Côa

De novo, o visual do Douro junto à desembocadura do Côa: sequ^ncia interminável de quintas

De novo, o visual junto à desembocadura do Côa: sequência interminável de quintas

Perto da foz do Rio Côa: foto clicada da beira da estrada

Perto da foz do Rio Côa: foto clicada da beira da estrada

Visual junto à margem esquerda do Douro: de dentro da Quinta de Castelo Melhor.

No fundo do vale, Quinta de Castelo Melhor: quietude absoluta e sensação de isolamento

A paisagem do Douro desde o Museu do Côa: provavelmente a mais bela região vinícola do mundo

O Douro desde o Museu do Côa: duplamente patrimônio da humanidade

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

ENTRE CASTELO RODRIGO E FOZ CÔA

Esta galeria contém 6 imagens.

Quem acompanha este blog já leu, mais de uma vez, que fiz de Castelo Rodrigo minha base para as visitas ao museu e às gravuras pré-históricas do Côa. Isso me obrigou a percorrer meia dúzia de vezes, ida e volta, os 30 e … Continuar lendo

UM PALÁCIO POSTO ABAIXO

Eis o palácio construído no topo de Castelo Rodrigo por Cristóvão de Moura – ou melhor, o que restou dele. Minha sugestão: visite-o de manhã bem cedo ou no fim da tarde. Dica óbvia, eu sei, ela vale para qualquer lugar. Acontece que as ruínas do palácio não são nada óbvias, e por um só motivo: sua localização. Elas ocupam o ponto mais alto da aldeia, acima dos 800 metros de elevação. De lá, o visual é incrível. Com as ruínas no primeiro plano, então, nem se fala.

As ruínas do palácio iluminada pela últimas luzes do dia: destruído numa revolta popular em 1640

As ruínas iluminadas pelas últimas luzes do dia: palácio destruído numa revolta popular em 1640

O site Aldeias Históricas de Portugal conta assim a história do palácio: “A dinastia filipina que subiu ao trono português em virtude da crise sucessória de 1580, desencadeada pela morte do Rei Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, teria impacto directo no velho burgo de Castelo Rodrigo. Efectivamente, Cristóvão de Moura, filho de um antigo alcaide da vila e figura-chave de sua diplomacia durante a crise de sucesso de 1580, mandou construir em Castelo Rodrigo o seu palácio no preciso local onde se situava a alcáçova.”

O palácio foi mandado construir por Cristóvão de Moura: conselheiro predileto do rei da Espanha

Sob a luz da manhã: mandado construir pelo conselheiro predileto do rei da Espanha

O lugar teve relevância militar ainda nos séculos 18 e 19: hoje, só turismo

O lugar manteve alguma relevância militar até o século 19: hoje em dia, só turismo

“A importância deste homem na administração de Portugal durante o domínio filipino fica bem patente no facto de Filipe II de Espanha ter elevado a localidade a condado, tendo atribuído o título de conde ao seu conselheiro predilecto, D. Cristóvão de Moura (1640). Com a morte do soberano, seu sucessor, Filipe III de Espanha, elevou o condado a marquesado (1600), passando seu titular a ostentar o título de 1º Marquês de Castelo Rodrigo.

Com a Restauração da Independência, o paço foi arrasado pela população (que o via como uma marca do domínio espanhol, mesmo tendo o seu promotor falecido há quase três décadas), permanecendo em ruínas até a actualidade. Com relevância militar ainda nos séculos 18 e 19, o palácio sofreu obras de consolidação, mas só muito recentemente foi alvo de uma intervenção de ‘consolidação de ruína’, promovida pelo IPPAR [Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico] com o apoio das Aldeias Históricas de Portugal, constituindo hoje um espaço simbólico onde é possível promover eventos de índole cultural.”

As ruínas ocupam o ponto mais alto da colina de Castelo Rodrigo: mais de 800 metros de elevação

No ponto mais alto da colina de Castelo Rodrigo: acima dos 800 metros de elevação

Minha sugestão: visite as ruínas do palácio de manhã bem cedo ou no finzinho da tarde

Sugestão: visite as ruínas de manhã bem cedo (meu caso) ou no finzinho da tarde

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

500 ANOS ATRÁS

Já ouviu falar do Livro das Fortalezas? Trata-se de um manuscrito com mais de 500 anos, cuja autoria é de Duarte de Arma. Reúne desenhos de 56 castelos fronteiriços do Reino de Portugal, todos eles visitados pelo autor. Pois bem: uma das fortalezas retratadas por Duarte foi a de Castelo Rodrigo. Repare que ele se coloca nas cenas – é quem aparece montado, acompanhado de um criado.

A fortaleza de Castelo Rodrigo desenha por Duarte de Armas em 1510

A fortaleza de Castelo Rodrigo: desenha em 1510 por Duarte de Armas, escudeiro da Casa Real

Patrimônio Português

O castelo por outro ângulo: originais estão guardados no Arquivo Nacional Torre do Tombo

Fotos: Wikimedia Commons