MUSEU DO CÔA

Novidade no Museu do Côa: desde o início de abril, os visitantes têm a sua disposição o serviço de áudio-guia, cujos conteúdos, segundo a direção do museu, foram “inteiramente validade pela equipa de investigação da Fundação Côa Parque”. Legal, né? … Continuar lendo

SANTA CLARA-A-VELHA

SANTA CLARA-A-VELHA

Mais uma vez, peço licença aos leitores para escapar um bocadinho do tema central deste blog. O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, é monumento nacional desde 1910, mas não integra o conjunto declarado patrimônio mundial pela Unesco em 2013. … Continuar lendo

TESOUROS DO CÔA

O museu e a arte paleolítica do Vale do Côa em um programada com mais de uma hora de duração, produzido e exibido pela RTP em 2011. Quem conduz a incursão ao mais importante conjunto de arte pré-histórica ao ar livre do mundo – além da apresentadora, Paula Moura Pinheiro – são os arqueólogos Dalila Correia, Thierry Aubry e António Martinho Baptista e o cineasta João Trabulo.

ARTE PRIMITIVA. PRIMITIVA?

De volta ao Parque Arqueológico do Côa para uma rápida visita ao núcleo de arte pré-histórica da Ribeira de Piscos. Dei um azar danado quando lá estive, em setembro do ano passado. Tempo ruim, com chuvisco indo e vindo a todo instante, e uma luz difusa que me proporcionava quase nada de contraste. Algumas gravuras, como a dos cavalos com as cabeças enlaçadas da rocha 1, estavam bem “sujas”, cobertas de sedimentos por causa dos aguaceiros nos dias anteriores. Resultado: fotos muito ruins. Publicáveis, só a do auroque da rocha 13, mostrada aqui em novembro, e mais meia dúzia ou um pouco mais. Quatro dessas eu reúno neste post.

Visual perto da foz da Ribeira de Piscos, que desagua no Côa

Visual do Côa nas proximidades da foz da Ribeira de Piscos: escola paleolítica de Belas Artes

Pesquisando na web, fui parar no blog PhotoArch, que escreve assim sobre a Ribeira de Piscos: “Os critérios que permitiram datar esse vasto conjunto artístico foram vários. No caso do Paleolítico Superior (que, em Portugal, corresponde ao período compreendido entre cerca de 30 mil e 10 mil anos antes do presente), recorreu-se em primeiro lugar à identificação das espécies figuradas. O cavalo e o auroque (o antepassado selvagem dos actuais bois domésticos), omnipresentes no Côa, são também espécies muito importantes na arte parietal paleolítica das grutas franco-cantábricas [Altamira e Lascaux, entre outras].”

O auroque da rocha 2, mais famosa pela pela figura humana da qual não tenho uma só foto publicável

O auroque da rocha 2: famosa pela figura humana da qual não tenho uma única foto publicável

Aproveito para reproduzir também alguns trechos de um texto do qual gosto muito, escrito por Luís Miguel Queirós para o Público em 2012:

“Como toda a arte paleolítica, as gravuras do Côa obedecem a representações estereotipadas – os animais são quase sempre figurados do mesmo modo, mesmo naqueles raros detalhes em que se afastam ligeiramente dos seus modelos vivos, como nas barrigas um nadinha acentuadas. Mas essa homogeneidade não significa que a sua execução estivesse ao alcance de qualquer um. A indiscutível perícia dos artistas do Côa sugere algum tipo de formação, de discipulato. ‘Uma espécie de escola de Belas-Artes’, ri-se [o arqueólogo] António Martinho Baptista [diretor do parque], não sendo todavia certo que o diga inteiramente a brincar.”

O cavalo da rocha 24, que está de perfil, mas encara o observador de frente (algo nada usual entre as gravuras do Côa

O cavalo da rocha 24, que está de perfil, mas nos encara de frente: algo nada usual

“Ao revelarem a existência de uma arte paleolítica ao ar livre produzida em grande escala”, escreve Queirós, “as descobertas no vale do Côa vieram estimular a investigação, e não será de espantar que se venham a fazer novas descobertas noutros locais. Mas, do que se conhece até agora, não há a menor dúvida de que o Côa é um caso único, não só pela concentração de vestígios – encontraram-se até este momento mais de mil rochas gravadas, das quais cerca de metade datarão do Paleolítico –, mas também pela própria qualidade das gravuras. ‘Não quero chamar ao Côa o vale sagrado’, diz Martinho Baptista, ‘mas acho que ali só eram mesmo autorizados a praticar, pelo status social do tempo, artistas a quem fosse reconhecida competência.’”

Perto das rochas 1 e 2: vida que segue entre as gravuras

Perto das rochas 1 e 2: vida que segue entre as gravuras

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

RIBEIRA DE PISCOS

RIBEIRA DE PISCOS

Dos mais de 60 sítios arqueológicos já identificados no Vale do Côa, apenas três estão abertos à visitação: Penascosa, Canada do Inferno e Ribeira de Piscos. Em 2012, conheci os dois primeiros. O terceiro visitei este ano, em setembro passado. Um de seus … Continuar lendo

PENASCOSA À NOITE

Cheguei ao sítio de Penascosa, no Parque Arqueológico do Côa, por volta das 19h30. Ainda era dia, mas a noite não demoraria a chegar. Faltavam uns 30, talvez 40 minutos. Aproveitei essa “folga” para fazer algumas fotos na beira do rio. Como se percebe na primeira imagem deste post, em Penascosa o Côa forma um vale bem aberto. Do lado de cá, na margem direira, há quase 30 rochas com gravuras. Do lado de lá, são mais de 60. A datação da maioria remete ao período mais antigo da arte rupestre naquela região: o Paleolítico Superior.

Rio Côa na altura do sítio arqueológico de Penascosa: quase 30 rochas com gravuras de um lado e mais de 60 do outro

Rio Côa na altura de Penascosa: quase 30 rochas com gravuras paleolíticas de um lado e mais de 60 do outro

Assim que começou a escurecer, juntei minha tralha e segui para as rochas. Ou melhor, fui direto à Rocha 3, na qual se observa um conjunto de animais sobrepostos, principalmente cabras e auroques. Para o arqueólogo António Martinho Baptista, diretor do parque, há uma clara associação simbólica entre as duas espécies – cujo significado, provavelmente, jamais sairá do campo das hipóteses. “Quem analisa a temática do Côa, a maneira de elaborar as figuras, verifica que todas elas são extremamente bem calibradas em termos estéticos”, diz o arqueólogo (aqui). “Tinham de ser [os autores] artistas de corpo inteiro. Daí serem chamados de verdadeiros iniciados na arte da gravura.”

Rocha 3: vários animais, principalmente cabras e auroques

Rocha 3: vários animais, principalmente cabras e auroques

Da Rocha 3 passei à 5. Depois, à Rocha 6. E foi só. Voltei para Castelo Rodrigo, onde estava hospedado, meio que entorpecido. A escuridão, o céu absurdamente estrelado, as gravuras destacadas pelo jogo de luz e sombra… Uma noite para nunca mais ser esquecida.

Rocha 6, na qual estão gravados dois cavalos e dois machos de cabra-montês

Rocha 6, na qual estão gravados dois cavalos e dois machos de cabra-montês

Detalhe da Rocha 5: outro macho de cabra-montês, uma das espécies mais comuns do Côa paleolítico

Detalhe da Rocha 5: outro macho de cabra-montês, uma das espécies mais comuns do Côa paleolítico

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

UMA CABRA DE 10 MIL ANOS… OU MAIS!

UMA CABRA DE 10 MIL ANOS… OU MAIS!

Esta é a Rocha 5B, no sítio arqueológico de Penascosa, Vale do Côa. Percebe o desenho de uma cabra gravado no xisto? Ele foi feito há 10 mil anos ou mais. É arte paleolítica – ou pré-histórica, se preferir assim. Segundo … Continuar lendo

ARQUEOLOGIA ROMANA

Mais duas fotos do acervo de arqueologia romana do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra. O primeiro retrato é de Trajano, imperador de Roma entre os anos de 98 e 117 da Era Cristã. No site do museu, lê-se o seguinte:

“Também encontrada no criptopórtico, esta representação de Trajano, coroado de louros, é um retrato feito em vida do imperador. O artista, provincial, segue de perto o tipo Coroa Cívica e transmite, de forma rude, mas expressiva, a forte personalidade do Optimus Princeps. Tal como as cabeças anteriores, este retrato é esculpido em mármore de Estremoz – Vila Viçosa.”

Retrato de Trajano: esculpido em vida, entre os séculos 1 e 2

Retrato de Trajano: esculpido em vida, entre os séculos 1 e 2

O segundo busto é de Agripina, sogra do imperador Cláudio e avó de Nero. Sobre essa peça, o MNMC escreve assim:

“Este retrato, certamente proveniente da basílica, foi encontrado nos entulhos do criptopórtico. Fazia parte de um programa político de renovação urbanística de Aeminium e exaltação da família imperial. A sua atribuição aos anos 40 d.C. concorda com a datação claudiana proposta para a construção do fórum. Agripina (…) surge aqui representada por um artista provincial, copiando um modelo itálico, do chamado tipo Capitólio-Veneza.”

Agripina, avó de Nero: uma das peças de que mais gosto

Agripina, avó de Nero: uma das peças de que mais gosto

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados