SÉ VELHA DE COIMBRA

SÉ VELHA DE COIMBRA

Eis aqui um dos melhores programas para quem visita Coimbra, talvez o melhor excetuando-se aqueles que incluem a universidade. A Sé Velha impressiona por seu estilo bunker, de igreja-fortaleza, e guarda lá dentro peças de valor inestimável, entre obras de arte … Continuar lendo

DE VOLTA À UNIVERSIDADE

Faz tempo – praticamente três meses – que não publico fotos da Universidade de Coimbra. Pois acabou o jejum. Junto com as imagens, reproduzo dois parágrafos extraídos de um material que me foi enviado pela amável Catarina Freire, do departamento de turismo da UC.

Paço das Escolas, o mais célebre cartão postal da universidade

Paço das Escolas, o mais célebre cartão postal da universidade

“A Universidade de Coimbra – Alta e Sofia está inscrita na lista dos bens Património Mundial da Unesco desde junho de 2013, após decisão unânime do Comité do Património Mundial, reunido em Phnom Penh, Camboja. Este bem inclui 31 edifícios de grande relevância, localizados em duas áreas que somam 35,5 hectares, e que possuem uma zona de proteção com 81,5 hectares. Estamos, assim, perante um conjunto complexo de elementos, unidos pelo seu papel enquanto testemunho material da longa história desta instituição universitária.”

É impressão minha ou o estudante parece meio desolado?

É impressão minha ou o estudante parece meio desolado?

“Erguidos em diversos períodos cronológicos, resultam diretamente das reformas ocorridas ao nível ideológico, pedagógico e artístico. Salientam-se quatro grupos identitários: o grupo dos colégios da Rua da Sofia, o grupo dos colégios da Alta, o grupo de edifícios resultante da reforma pombalina e, finalmente, o grupo edificado durante o período do Estado Novo.”

Faculdade de Letras, um dos edifícios do período do Estado Novo

Faculdade de Letras, do período do Estado Novo

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

UM PASSEIO COMPLETO PELA UC

Este é o vídeo oficial produzido para a candidatura da Universidade de Coimbra a patrimônio mundial. Um belo passeio não apenas pelos lugares mais importantes da instituição, mas também pela Alta da cidade e pela Rua da Sofia, igualmente tombadas pela Unesco em 2013.

Nos próximos posts, deixaremos Coimbra para trás e seguiremos para a região de Castelo Rodrigo, que foi minha base para a exploração das gravuras rupestres do Vale do Côa durante a press trip que o Turismo do Centro de Portugal organizou para mim no último mês de setembro. Mas voltarei a publicar imagens e textos sobre a universidade, a Alta e o espetacular Museu Nacional de Machado de Castro muito em breve.

ARQUEOLOGIA ROMANA

Mais duas fotos do acervo de arqueologia romana do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra. O primeiro retrato é de Trajano, imperador de Roma entre os anos de 98 e 117 da Era Cristã. No site do museu, lê-se o seguinte:

“Também encontrada no criptopórtico, esta representação de Trajano, coroado de louros, é um retrato feito em vida do imperador. O artista, provincial, segue de perto o tipo Coroa Cívica e transmite, de forma rude, mas expressiva, a forte personalidade do Optimus Princeps. Tal como as cabeças anteriores, este retrato é esculpido em mármore de Estremoz – Vila Viçosa.”

Retrato de Trajano: esculpido em vida, entre os séculos 1 e 2

Retrato de Trajano: esculpido em vida, entre os séculos 1 e 2

O segundo busto é de Agripina, sogra do imperador Cláudio e avó de Nero. Sobre essa peça, o MNMC escreve assim:

“Este retrato, certamente proveniente da basílica, foi encontrado nos entulhos do criptopórtico. Fazia parte de um programa político de renovação urbanística de Aeminium e exaltação da família imperial. A sua atribuição aos anos 40 d.C. concorda com a datação claudiana proposta para a construção do fórum. Agripina (…) surge aqui representada por um artista provincial, copiando um modelo itálico, do chamado tipo Capitólio-Veneza.”

Agripina, avó de Nero: uma das peças de que mais gosto

Agripina, avó de Nero: uma das peças de que mais gosto

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

VESTÍGIOS DE UMA NECRÓPOLE

As fotos reunidas aqui são de duas peças provenientes da antiga necrópole de Aeminium, como era chamada a cidade de Coimbra na época do Império Romano. Nas duas primeiras imagens, o que se vê é uma árula – em outras palavras, um pequeno altar funerário. O Museu Nacional de Machado de Castro descreve assim o artefato:

“Procedente das destruições da zona do castelo, esta pequena ara foi consagrada aos deuses Manes, em memória de Vagelia Rufina Júnior, por seu avô, Álio Avito, e seu pai, Silvânio Silvano. A ausência de menção à idade da menina e a descoberta, no lugar da mesma necrópole, de um cipo funerário dedicado pelos dois homens à memória de Ália Vagelia Ávita, de 26 anos, mostra que a criança não sobreviveu por muito tempo ao desaparecimento da mãe ou que ambas morreram no parto.

Os nomes da jovem mãe e do seu pai remetem para famílias ricas da sociedade emineense com uma dupla origem indígena e romana. Vagellia é mesmo nome de uma gens da península itálica. Outras inscrições funerárias encontradas em Conimbriga provam que as mesmas famílias existiam nas duas cidades vizinhas. Aliás, a tipologia dos monumentos e o calcário de Ançã de que são feitos sugerem uma oficina comum.”

Altar funerário do Museu de Machado de Castro

Altar funerário do Museu de Machado de Castro

O mesmo altar um pouco mais de perto

O mesmo altar um pouco mais de perto

A terceira imagem mostra uma urna encontrada no mesmo sítio e dedicada a um romano de nome Aurélio Rufino. Demais, não é verdade? Tudo isso fica exposto na área que os especialistas chamam de criptopórtico, uma galeria de dois pisos que sustentava o fórum de Aeminium. Pois é: o museu tem como “alicerce” uma estrutura dos tempos da Roma Antiga. E não é uma estrutura qualquer. Trata-se do maior edifício romano preservado em Portugal.

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Urna funerária dedicada a um romano de nome Aurélio Rufino

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

MUSEU DE MACHADO DE CASTRO

Logo na minha primeira manhã em Coimbra, fui conhecer o Museu Nacional de Machado de Castro. Programaço. Vá por mim, é visita obrigatória, ainda que você não seja lá muito fã de museus. Primeiro, porque seu acervo é espetacular, entre arqueologia, escultura, pintura, cerâmica, ourivesaria, mobiliário e muito mais. Depois, porque ele fica no coração da Alta, bem ao lado da Sé Nova. Além disso, seu restaurante – o Loggia – tem boa comida e vistas melhores ainda. É por essas e outras que o Machado de Castro entra fácil na lista dos cinco museus mais legais que eu já visitei.

Começo aqui uma série de pelo menos quatro posts sobre o acervo arqueológico do MNMC. Para ser mais exato, sobre Aeminium, a cidade romana que, há cerca de 2 mil anos, existia onde hoje fica Coimbra. A prova mais eloquente de que esse realmente era o seu nome está na rocha das fotos. Trata-se da Lápide Honorífica. Perceba que, na sua parte inferior (foto 2), dá para ler com todas as letras a palavra AEMINIENS, referência explícita aos cidadãos de Aeminium. Em seu site, o museu escreve o seguinte:

“Descoberta em 1888, esta lápide – dedicada pela cidade de Aeminium ao dileto príncipe Flávio Valério Constâncio, nascido para o bem e progresso da República, pio, feliz, invicto, augusto, pontífice máximo, com o poder tribunício, pai da pátria, procônsul – tem a maior importância para Coimbra. Antes de mais, por ter confirmado documentalmente o seu nome romano; em segundo lugar, porque a data de 305-306, que os atributos do imperador estabelecem para a dedicatória, sugere que a grande benfeitoria concedida por Constâncio Cloro possa ter sido a construção da muralha. De entre as hipóteses possíveis, esta é a mais plausível pela concordância da datação com os factos históricos conhecidos para a Lusitânia.”

Coimbra

Lápide Honorífica: prova do nome romano de Coimbra

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Na parte inferior da lápide, que foi descoberta em 1888, lê-se claramente a palavra “aeminiens”

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

ENFIM, COIMBRA

ENFIM, COIMBRA

Senhoras e senhores, essa é Coimbra precisamente às 19h04 do dia 11 de setembro passado, uma quinta-feira. Caramba, como eu tinha vontade de conhecer a cidade. Pois finalmente aconteceu. Quem acompanha o blog já viu algumas fotos da minha passagem por lá, … Continuar lendo