RIBACÔA

Talvez você nunca tenha ouvido falar dessa região de Portugal. Nesse caso, recomendo fortemente que se informe sobre ela e passe a considerá-la em sua próxima visita ao país. Estive lá em 2014. Desde então, vivo fazendo planos de retornar. … Continuar lendo

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BORA PRA PORTUGAL!

BORA PRA PORTUGAL!

UM PALÁCIO POSTO ABAIXO

Eis o palácio construído no topo de Castelo Rodrigo por Cristóvão de Moura – ou melhor, o que restou dele. Minha sugestão: visite-o de manhã bem cedo ou no fim da tarde. Dica óbvia, eu sei, ela vale para qualquer lugar. Acontece que as ruínas do palácio não são nada óbvias, e por um só motivo: sua localização. Elas ocupam o ponto mais alto da aldeia, acima dos 800 metros de elevação. De lá, o visual é incrível. Com as ruínas no primeiro plano, então, nem se fala.

As ruínas do palácio iluminada pela últimas luzes do dia: destruído numa revolta popular em 1640

As ruínas iluminadas pelas últimas luzes do dia: palácio destruído numa revolta popular em 1640

O site Aldeias Históricas de Portugal conta assim a história do palácio: “A dinastia filipina que subiu ao trono português em virtude da crise sucessória de 1580, desencadeada pela morte do Rei Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir, teria impacto directo no velho burgo de Castelo Rodrigo. Efectivamente, Cristóvão de Moura, filho de um antigo alcaide da vila e figura-chave de sua diplomacia durante a crise de sucesso de 1580, mandou construir em Castelo Rodrigo o seu palácio no preciso local onde se situava a alcáçova.”

O palácio foi mandado construir por Cristóvão de Moura: conselheiro predileto do rei da Espanha

Sob a luz da manhã: mandado construir pelo conselheiro predileto do rei da Espanha

O lugar teve relevância militar ainda nos séculos 18 e 19: hoje, só turismo

O lugar manteve alguma relevância militar até o século 19: hoje em dia, só turismo

“A importância deste homem na administração de Portugal durante o domínio filipino fica bem patente no facto de Filipe II de Espanha ter elevado a localidade a condado, tendo atribuído o título de conde ao seu conselheiro predilecto, D. Cristóvão de Moura (1640). Com a morte do soberano, seu sucessor, Filipe III de Espanha, elevou o condado a marquesado (1600), passando seu titular a ostentar o título de 1º Marquês de Castelo Rodrigo.

Com a Restauração da Independência, o paço foi arrasado pela população (que o via como uma marca do domínio espanhol, mesmo tendo o seu promotor falecido há quase três décadas), permanecendo em ruínas até a actualidade. Com relevância militar ainda nos séculos 18 e 19, o palácio sofreu obras de consolidação, mas só muito recentemente foi alvo de uma intervenção de ‘consolidação de ruína’, promovida pelo IPPAR [Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico] com o apoio das Aldeias Históricas de Portugal, constituindo hoje um espaço simbólico onde é possível promover eventos de índole cultural.”

As ruínas ocupam o ponto mais alto da colina de Castelo Rodrigo: mais de 800 metros de elevação

No ponto mais alto da colina de Castelo Rodrigo: acima dos 800 metros de elevação

Minha sugestão: visite as ruínas do palácio de manhã bem cedo ou no finzinho da tarde

Sugestão: visite as ruínas de manhã bem cedo (meu caso) ou no finzinho da tarde

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

CASTELO RODRIGO EM 10 CLICKS

Um pouco mais da história de Castelo Rodrigo, a encantadora aldeia que usei como QG durante minha incursão ao Vale do Côa, em setembro de 2014. E uma galeria com 10 clicks inéditos do lugar, que pretendo revisitar em breve. As informações são do site Aldeias Históricas.

Castelo Rodrigo em um dia de céu gloriosamente azul: bem perto da fronteira com a Espanha

Castelo Rodrigo em uma bela manhã de céu azul: bem perto da fronteira com a Espanha

“O território de Ribacôa foi ocupado desde o Paleolítico, havendo vestígios megalíticos e da cultura castreja, romanos e árabes. A preocupação com a reorganização e o povoamento desta área na época da Reconquista é patente nas doações aos freires Salamantinos, fundadores da Ordem de São Julião do Pereiro, e aos primeiros frades de Santa Maria de Aguiar, oriundos de Zamora, de que o Mosteiro de Santa Maria de Aguiar, de fundação cisterniense do século 12, é importante testemunho.

Conquistada aos árabes no século 11 e dependente do Reino de Leão, foi vila elevada a concelho por Afonso IX, integrando definitivamente o território português a 12 de setembro de 1297, pelo Tratado de Alcanizes – assinado por D. Dinis, que confirmou o seu Foral em Trancoso e mandou repovoar e reconstruir o castelo, acção repetida por D. Fernando, que também lhe concedeu Carta de Feira, em 1373.”

A muralha que até hoje protege a aldeia: inicialmente composta por 13 torreões

A muralha que até hoje protege a aldeia: originalmente composta de 13 torreões

A Igreja de Nossa Senhora de Rocamador: fundada no século 13 por uma confraria de frades hospitaleiros

Igreja de Nossa Senhora de Rocamador: fundada no século 13 por frades hospitaleiros

“Castelo Rodrigo está rodeada por uma cintura amuralhada inicialmente composta de 13 torreões (à semelhança de Ávila), de que restam alguns, e cujo passeio de ronda se encontra parcialmente obstruído pelas casas aí construídas. Mantém a sua traça medieval, que irradia da alcáçova e acompanha a topografia. Pelas suas ruas encontram-se casas interessantes, umas manuelinas, outras construções árabes, como a casa nº 32, com inscrição e uma carranca, para além da cisterna, de 13 metros de fundo, com uma porta em arco de ferradura e outra ogival.

Estando na rota de peregrinos a Compostela, aqui se ergueu a Igreja de Nossa Senhora de Rocamador, fundada por uma confraria de frades hospitaleiros vindos de França no século 13. Dispõe de cachorrada românica e no seu interior destacam-se um púlpito renascentista em granito, imaginária dos séculos 14 e 17, o tecto em caixotões com pintura barroca e um retábulo rococó.”

Paredes de pedra e telhados de barro: o traçado medieval da vila foi preservado

Paredes de pedra e telhas de barro: restauração preservou o traçado medieval

O passeio de um gato sobre os telhados da vila...

O passeio de um gato sobre os telhados da vila…

...e um bate-papo entre ele e sua dona alguns minutos depois

…e um papo reto com sua dona alguns minutos depois

“Por ter tomado partido por Castela na crise de 1383-85, D. João I castigou Castelo Rodrigo, mandando que o seu brasão ficasse com as armas reais invertidas, e a vila dependente de Pinhel. O pelourinho manuelino – de gaiola e grandes dimensões – atesta o poder municipal, regulamentado pelo foral novo de 1508, altura em que D. Manuel, o Rei Venturoso, mandou repovoar a vila e refazer o castelo.

Sob domínio filipino, instituiu-se o condado e marquesado de Castelo Rodrigo na pessoa de Cristóvão de Moura, que mandou edificar um palácio. Após a Restauração, este foi destruído pelo povo. Próximo da Porta do Sol, o padrão assinala e comemora a restauração da independência nacional.”

Rua da Cadeia: por ela, atravessa-se Castelo Rodrigo de uma ponta à outra em cinco minutos de caminhada

Rua da Cadeia: por ela, atravessa-se o povoado em cinco minutos de caminhada

Rua da Misericórdia, uma  pequena viela...

Rua da Misericórdia, uma pequena e estreita viela…

Castelo Rodrigo

…entre a Rua da Cadeia e o Largo do Pelourinho

“Ainda nas lutas contra Espanha, a vila sofreu em 1664 o cerco do Duque de Ossuna, tendo a sua guarnição de 150 homens resistido heroicamente até a chegada de reforços, travando-se a Batalha da Salgadela, junto ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar. Conta-se que o Duque de Ossuna e D. João d´Áustria escaparam disfarçados de frades.

Após as Guerras da Restauração, Castelo Rodrigo foi perdendo sua importância. A 25 de junho de 1836, por Carta Régia de D. Maria II, a sede de concelho passou para Figueira de Castelo Rodrigo. Historicamente, nenhuma povoação raiana exerceu por tão longo período um lugar tão relevante nas relações luso-castelhanas e na defesa do território português.”

Um detalhe da Rua da Tapada: na minha opinião, a mais simpática da aldeia

Detalhe da Rua da Tapada: um pingo de cor nas paredes monocromáticas

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados