CASA DE MATEUS

Se você já tomou um vinho rosé chamado Mateus, ou pelo menos o viu na prateleira de algum supermercado, talvez reconheça o palácio desta foto. Afinal, há décadas ele estampa o rótulo do tal rosé, que já foi um dos … Continuar lendo

BORA PRA PORTUGAL!

BORA PRA PORTUGAL!

QUINTA DOS MALVEDOS

Na margem norte do Douro, junto à foz do Rio Tua, esparramam-se os vinhedos de uma das mais espetaculares quintas da região demarcada. Trata-se de Malvedos, pertencente à Graham´s – cujos vinhos do porto, em especial os vintage, são verdadeiras obras de arte.

Quinta dos Malvedos: produtora de vinhos de porto que são verdadeiras obras de arte

Quinta dos Malvedos: produtora de vinhos de porto que são verdadeiras obras de arte

A Quinta dos Malvedos foi adquirida pela família Graham em 1890. Teve de ser vendida algum tempo depois, devido a problemas financeiros, mas acabou sendo recomprada em 1970. As vinhas cobrem quase 70% dos 108 hectares da propriedade. Nos socalcos murados mais antigos, elas têm, em média, 45 anos de idade.

Os painéis de azulejo na entrada da quinta lembram os visitantes...

Os painéis de azulejo na entrada da quinta lembram os visitantes…

Douro

…de que a família Graham está no Douro desde o século 19

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

A seguir, dois vídeos amadores, mas bem bacanas, feitos pela blogger da Graham´s em Malvedos no ano de 2011, poucas semanas antes da vindima (a colheita das uvas). A primeira parte passeia pelo setor sul da propriedade. A segunda, pelo norte. Ambas estão em inglês.

Só para constar: a safra 2011 foi uma das melhores de todos os tempos não apenas no Douro, mas em todo o país.

CONEXÃO DOURO-SP

Este é o Alto Douro Vinhateiro, um lugar bucólico, sossegado – patrimônio da humanidade desde 2001.

Coração do Alto Douro Vinhateiro: patrimônio mundial da Unesco desde 2001

Vale do Douro, norte de Portugal

E esta é São Paulo, uma megalópole, a maior cidade brasileira – terceira mais populosa do mundo, com 20 milhões de habitantes.

A cidade de São Paulo: maior do Brasil e terceira mais populosa do mundo, com 20 milhões de habitantes

São Paulo, Brasil

Qual relação poderia existir entre dois lugares tão nada a ver um com o outro? Várias. A começar pela mais óbvia: São Paulo foi fundada por um duriense, o padre Manuel da Nóbrega.

Nascido em Sanfins do Douro, no dia 18 de outubro de 1517, Nóbrega era filho de desembargador e sobrinho de chanceler-mor. Estudou nas universidades de Salamanca e Coimbra, bacharelando-se em direito canônico e filosofia. Aos 27 anos, resolveu seguir carreira religiosa. Já na condição de sacerdote, foi nomeado chefe da primeira missão jesuítica portuguesa à América. Liderou a catequização dos indígenas com determinação quase militar, um verdadeiro general a serviço da Companhia de Jesus. Fundou a vila de São Paulo em 1554. Antes, em 1549, já tinha ajudado a fundar Salvador. Depois, em 1565, participou também da fundação do Rio de Janeiro. “Foi o primeiro estadista luso-brasileiro, símbolo imortal do gênio missionário lusíada”, lê-se hoje no monumento erigido em sua homenagem na pacata Sanfins.

Aldeia de Tralhariz, Douro: perto daqui nasceu o fundador da megalópole paulistana

Aldeia de Tralhariz, Douro

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

Aqui, um pouco mais sobre a vida e a obra do padre Manuel da Nóbrega.

 

BORA PRA PORTUGAL!

BORA PRA PORTUGAL!

VALE DE MENDIZ

VALE DE MENDIZ

Esse lugarzinho lindo, sobranceiro ao Rio Pinhão, é o povoado de Vale de Mendiz, no Alto Douro. As inquirições gerais de 1220, sob o reinado de D. Afonso II, referem-se a ela como Valem Menendo Dias, então um povoado sob posse administrativa … Continuar lendo

VINHO DO PORTO E BRASIL COLÔNIA

Uma das propostas deste projeto – Portugal – Patrimônios da Humanidade – é registrar as conexões existentes entre os patrimônios mundiais portugueses e o Brasil. Um exemplo: sabia que o Brasil Colônia foi um dos maiores consumidores do vinho do porto produzido no Douro? Essa história começa em 1756, ano em que Portugal impôs aos colonos deste lado do Atlântico grandes cotas do produto. Em outras palavras, a colônia ficou obrigada a comprar todo o porto que sobrasse da exportação para os ingleses. Não por acaso, naquele mesmo ano foi fundada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, inclusive com escritórios em Recife, Salvador e no Rio de Janeiro.

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Os socalcos do Douro entre Peso da Régua e Pinhão: primeira região demarcada do mundo

No website Espólio Fotográfico Português, há um bom relato desse episódio. Reproduzo a seguir alguns parágrafos.

“As origens da região demarcada do Alto Douro remontam a 1756, ano em que o ministro de D. José I, Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) fundou a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Com efeito, em 10 de Setembro de 1756, no âmbito da política pombalina de fomento económico e reorganização comercial do país, de inspiração mercantilista, assente na formação de várias companhias monopolistas e privilegiadas, foi criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, destinada a garantir e promover, de forma articulada, a produção e comercialização dos vinhos do Alto Douro, a travar a concorrência de outros vinhos portugueses de inferior qualidade, a limitar o predomínio e mesmo o controlo desta actividade económica pelos ingleses e, logicamente, a aumentar os rendimentos da Coroa provenientes do comércio dos vinhos do Alto Douro, que vieram a ser uma das maiores fontes de receita do Estado português.”

Uvas da Quinta de Vargellas (Taylor´s), em São João da Pesqueira

Quinta de Vargellas (Taylor´s), em São João da Pesqueira

“De acordo com os estatutos da companhia, deviam separar-se “inteira e absolutamente para o embarque da América e reinos estrangeiros os vinhos das costas do Alto Douro e do seu território de todos os outros vinhos, dos lugares que somente os produzem capazes de se beber na terra, para que desta sorte a inferioridade destes vinhos não arruíne a reputação que aqueles merecem pela sua bondade natural”. Daí a necessidade de se elaborar um mapa ou tombo geral das duas costas, setentrional e meridional do rio Douro, no qual se demarcou “todo aquele território que produz os verdadeiros vinhos de carregação, que são capazes de sair pela barra do mesmo rio.”

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Mapa da região demarcada do Douro desenhado pelo Barão de Forrester no século 19

“Por aviso de 28 de Julho de 1757, Carvalho e Melo manda demarcar “as duas costas do rio Douro e os respectivos terrenos que produzem diferentes qualidades de vinhos”, de forma a terminarem as “desordens” provocadas pela “confusão” existente entre vinhos bons e maus, encarregando o sargento-mor de infantaria Francisco Xavier do Rego de levantar as “costas” do rio Douro e nomeando para dirigir tal operação o desembargador Inácio de Sousa Jácome Coutinho, procurador fiscal da companhia, e os dois deputados provadores da companhia, Manuel Rodrigues Braga e José Monteiro de Carvalho, e convidando ainda Diogo Archibold, de nação inglesa, para testemunhar a boa-fé com que se ia proceder na separação dos terrenos do vinho tinto para o comércio da Europa do Norte, dos terrenos de vinhos destinados ao Brasil e ao consumo interno.

Ainda nesse ano, porém, esta primeira demarcação foi anulada, uma vez que, como refere a carta régia de 20 de Setembro de 1758, a comissão demarcante tinha ultrapassado as instruções régias que deviam orientar aquele trabalho. Em Outubro de 1758 dá-se início à nova demarcação do Alto Douro (…). Em Novembro de 1758, a demarcação das duas costas do rio Douro, com a indicação dos terrenos que produziam diferentes qualidades de vinhos pagos a preços distintos, foi terminada.”

Colheita em Provesende, coração do Alto Douro Vinhateiro

Colheita em Provesende, coração do Alto Douro

“A região vinícola demarcada do Alto Douro conheceu sucessivos alargamentos no século 19, de tal modo que em 1907 chegou até à fronteira com a Espanha. No ano seguinte, porém, deu-se uma redução da área produtora do vinho do porto, de tal modo que, na sequência do decreto de 10 de Dezembro de 1921, podemos afirmar que a região demarcada do Alto Douro passou a corresponder, praticamente, àquela que ainda hoje permanece. Considerada por François Guichard a primeira demarcação no mundo de uma zona de denominação de origem controlada no sentido contemporâneo do termo, a demarcação pombalina, que nunca correspondeu a qualquer entidade administrativa, acabou por conceder à região do Alto Douro, como sublinhou Gaspar Martins Pereira, uma identidade própria que veio até aos nossos dias.”

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

QUINTA DE CASTELO MELHOR

Douro Superior. Estamos na porção mais oriental da região demarcada mais antiga do mundo. Para ser exato, na Quinta de Castelo Melhor, a um quilômetro da vila que lhe empresta o nome (concelho de Vila Nova de Foz Côa). Uma maravilha de propriedade. Aqui são cultivadas uvas que entram no blend dos vinhos Duorum, parceria entre os enólogos João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco.

Entrada da Quinta de Castelo Melhor:bem perto da vila que lhe empresta o nome

Entrada da Quinta de Castelo Melhor: a apenas 1 km da vila que lhe empresta o nome

O Douro visto do alto da encosta: vinhas entre 160 m e 400 m de altitude

O Douro visto do alto da encosta: videiras plantadas entre 160 m e 400 m de altitude

Perceba como o desnível do terreno é acentuado. Lá embaixo, no fundo do vale, pode fazer muito mais calor que aqui em cima. Na prática, há dois micro-climas distintos. No mais quente e abafado, as uvas maduras apresentam maior concentração de açúcares, dando origem a vinhos mais concentrados e intensos. Já no ambiente mais fresco e arejado, acontece o contrário, resultando vinhos mais leves e com maior acidez. Dessa diversidade nasceram, em 2008, dois grandes rótulos da Duorum: o O. Leucura Cota 200, feito com as uvas mais calorentas da encosta, e o O. Leucura Cota 400, com as uvas fresquinhas das terras altas. As castas são rigorosamente as mesmas, Touriga Nacional e Touriga Franca. Mas os vinhos… Eles não poderiam ser mais diferentes um do outro.

Originárias do Minho, a casta foi introduzida no Douro há 300 anos

A casta foi introduzida no Douro há cerca de 300 anos: originária da região do Minho

Souzão, uma das variedades cultivadas: 17% da área plantada

Souzão, uma das variedades: 17% da área plantada

A cor da Souzão é intensa: mais tinta das uvas portuguesas

A cor da Souzão é intensa: mais tinta das uvas portuguesas

Essas duas Tourigas, Nacional e Franca, são as castas predominantes na Quinta de Castelo Melhor – correspondem a 38% e 34% da área plantada, respectivamente. Em terceiro lugar aparece a Souzão (17%), cujos cachos ilustram este post. Considerada a mais tinta das castas portuguesas, ela é originária do Minho e foi introduzida no Douro há cerca de 300 anos. Entra no blend de certos rótulos da Duorum (inclusive vinhos do porto vintage) para garantir-lhes a intensidade da cor e alguma frescura.

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

RETRATOS DO DOURO

Ao se deslocar entre Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa, o viajante nem percebe que tem o Rio Douro como companhia em boa parte do tempo. Não dá para vê-lo do carro durante quase todo o trajeto. Mas acredite, ele está logo ali, atrás de uma sequência aparentemente interminável de quintas. Da beira da estrada, só é possível avistá-lo quando a gente se aproxima da desembocadura do Côa. Uma dica: resolva esse “problema” visitando a Quinta de Castelo Melhor, propriedade da Duorum debruçada sobre a margem esquerda do rio (mais ou menos na metade do caminho). Ela proporciona vistas espetaculares, especialmente do trecho mais próximo à foz da Ribeira de Aguiar, junto à vizinha Quinta da Granja.

O rio visto da Quinta de Castelo Melhor: uma paisagem deslumbrante

O Douro visto da Quinta de Castelo Melhor: meio do caminho entre Castelo Rodrigo e Foz Côa

De novo, o visual do Douro junto à desembocadura do Côa: sequ^ncia interminável de quintas

De novo, o visual junto à desembocadura do Côa: sequência interminável de quintas

Perto da foz do Rio Côa: foto clicada da beira da estrada

Perto da foz do Rio Côa: foto clicada da beira da estrada

Visual junto à margem esquerda do Douro: de dentro da Quinta de Castelo Melhor.

No fundo do vale, Quinta de Castelo Melhor: quietude absoluta e sensação de isolamento

A paisagem do Douro desde o Museu do Côa: provavelmente a mais bela região vinícola do mundo

O Douro desde o Museu do Côa: duplamente patrimônio da humanidade

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados