MOSTEIRO DE ALCOBAÇA

Eis um dos mais importantes mosteiros cisternienses medievais da Europa, destino obrigatório para todo viajante que se esteja em visita ao Centro de Portugal. As fotos reunidas neste post são antigas, foram feitas em 2009, durante minha primeira visita ao país. Mesmo assim, permaneciam inéditas aqui no blog.

Mosteiro de Alcobaça

Reproduzo a seguir parte de um texto sobre o mosteiro disponível no website E-cultura, ligado ao Centro Nacional de Cultura de Portugal.

“O mosteiro foi fundado em 1153 por doação do nosso primeiro monarca a Bernardo de Claraval. Alguns autores sugeriram que, imediatamente após esta data, a construção tenha arrancado, segundo uma rígida planta bernardina (muito provavelmente a de Fontenay), projeto historiograficamente conhecido como Alcobaça I. A verdade, porém, é que estudos posteriores rejeitaram esta hipótese e parece hoje relativamente consensual o arranque da obra somente em 1178. De acordo com os mais recentes estudos, são três os momentos distintos marcados no monumento. À primeira fase pertence o “traçado geral do convento (…) e a construção da parte mais importante da cabeceira, transepto e coro dos monges” (REAL, 1998: 89). Devido a um mestre francês, formado nitidamente em Claraval (em cujo plano o monumento português se filia), a opção foi por uma cabeceira com capela-mor de duplo tramo (o segundo semicircular), ladeada por deambulatório onde se abriam originalmente nove capelas radiantes, de planta trapezoidal com parede fundeira retangular. Uma das suas grandes novidades foi a inclusão de arcobotantes a amparar o deambulatório, solução claramente gótica e sem paralelo, até então, no nosso país. Quando a obra chegou ao quinto tramo do corpo, deu-se uma mudança na orientação do projeto. Entre as alterações então efetuadas, salienta-se a diferente elevação das naves, que passaram a estar quase à mesma altura, e a adoção de um repertório decorativo de tendência coimbrã nos capitéis. Finalmente, os dois últimos tramos e a fachada devem-se a um terceiro mestre, que rematou o conjunto com uma galilé e o atual portal principal, a que se sobrepunha uma fachada em empena. Tendo em conta que o corpo de D. Afonso II foi trasladado para esta galilé em 1233, é de crer que a obra estaria praticamente pronta por essa altura.

Apesar destas diferenças, o conjunto impressiona, ainda hoje, pela sensação de normalização dos elementos que o constituem, a que não foram alheias as primordiais diretrizes bernardinas de austeridade e simplicidade. A opção pelos capitéis vegetalistas (quase invisíveis na massa vertical de suportes e de paredes) e o ritmo ordenado dos tramos do corpo são a marca mais evidente dessa tendência estética, tão característica dos cistercienses, a que não falta uma sugestão militar transmitida pelo coroamento contínuo de merlões.”
“Nas primeiras décadas do século 14, construiu-se o claustro, ao que tudo indica com o patrocínio de D. Dinis. Ele foi executado pelo arquiteto Domingos Domingues, cujo nome consta de uma lápide in situ. Artisticamente, é uma obra que denota “hesitações de programa e encurtamentos” (PEREIRA, 1995: 378), mas cujos capitéis, tematicamente muito variados e de assinalável qualidade técnica, nada têm já de românico. Deverá ter existido, todavia, um primeiro projeto, de que restam alguns vestígios.”

Mosteiro de Alcobaça

“Ao longo dos séculos seguintes, foram muitas as obras e transformações no mosteiro. Como principal panteão régio da primeira dinastia, aqui se fizeram sepultar D. Pedro e D. Inês de Castro, em dois túmulos de qualidade ímpar a nível europeu. Na época manuelina, registaram-se novas obras, como o átrio da sacristia e o seu decorado portal e, no Barroco, novas realizações de atualização estética. Já neo-gótica é a sala dos túmulos, aberta para o braço Sul do transepto. A última grande intervenção deu-se já no século 21 com a inauguração da sala de exposições de autoria do arquiteto Gonçalo Byrne. Foi igualmente já em 2002 que a ala norte, então ocupada pelo Asilo Residencial da Terceira Idade afeto ao Ministério da Solidariedade Social, é transferida para a guarda do Ministério da Cultura passando o IGESPAR a ter a seu cargo a globalidade do edifício.”

Mosteiro de Alcobaça

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout

 

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