Cap 6 – CONVENTO DE CRISTO (CLAUSTROS, REFEITÓRIO E AQUEDUTO)

Aqui vão as 12 fotos restantes do conjunto de 26 que comecei a publicar no mês passado. Completa-se, assim, a primeira fase de pré-edição das imagens que entrarão no capítulo 6, sobre o Convento de Cristo. O livro, caso ainda não saiba, pretende contar a história dos patrimônios mundiais portugueses e revelar suas conexões com a história do Brasil. Preciso reduzir essa dúzia de fotos à metade. E gostaria, mais uma vez, de saber sua opinião. Quais seriam as seis imagens que você preservaria? Deixe sua sugestão nos comentários e me ajude a entender como as imagens que tenho como favoritas batem nos olhos – ou melhor, no coração – dos leitores.

Claustro de D. João III, também conhecido como Claustro Grande ou Principal

Ele é considerado uma obra-prima do maneirismo

Sobre o Claustro de D. João III, também chamado de Claustro Grande ou Claustro Principal, a Wikipedia informa o seguinte:

“(…) foi projetado e construído inicialmente por João de Castilho, entre 1533 e 1545, durante a grande empreitada renascentista de construção do novo convento levada a cabo por esse notável arquiteto. Embora tenha ficado inacabado, terá sido presumivelmente sua mais significativa contribuição no interior desse vasto conjunto, mandado erigir por D. João III. Foi o humanista Frei António de Lisboa quem então liderou a profunda reforma da Ordem de Cristo e a edificação do novo convento. A etapa de construção castilhiana durou mais de 20 anos (desde c. 1532 até a data da morte do arquiteto, em 1552), sendo prolongada pelo seu sucessor, Diogo de Torralva, “mestre das obras” do Convento de Cristo a partir de 1554.

Por razões que permanecem por esclarecer na íntegra, três anos depois da morte de Frei António de Lisboa e dois anos volvidos sobre o desaparecimento de Castilho, D. João III ordenou a demolição desse claustro (ao que se diz, por ser considerado “perigoso”), encomendando a Torralva uma obra inteiramente nova. A demolição teve início logo em maio de 1554 e poupou apenas dois trechos clássicos do andar térreo. Em 1558, já no período de regência de D. Catarina, os aspetos mais importantes do novo programa arquitetónico deviam estar concebidos e, segundo inscrição da época, 1562 poderá ser o ano do fecho da ala norte, com o restante ainda incompleto. Em 1565, as prioridades políticas desviaram-se em definitivo de Tomar para se centrar na realização da nova capela-mor do Mosteiro dos Jerónimos, levando o arquiteto, desiludido, a retirar-se do estaleiro tomarense. A construção terá prosseguido depois da morte de Torralva, ocorrida no ano seguinte, através do seu sucessor, Francisco Lopes, mas a construção só seria terminada em 1583, já no reinado de D. Filipe I, quando Filipe Terzio assumiu a realização dos acabamentos finais, concluindo a cimalha e a elegante balaustrada clássica, a que se seguiu Pedro Fernandes Torres, autor do fontenário central do claustro.

Considerado uma obra-prima de Torralva e do maneirismo europeu, o Claustro de D. João III revela simultaneamente um domínio absoluto da linguagem clássica e uma nova dinâmica que representa a sua superação. São aqui claras as influências dos Livros III e IV de Sebastiano Serlio (e provavelmente de obras inspiradoras como a Villa Imperial de Pesaro, de Girolamo Genga, c. 1530), que Torralva adaptou ao programa tomarense.”

Claustro da Hospedaria, outra preciosidade do Convento de Cristo

Quanto ao Claustro da Hospedaria, lê assim na Wikipedia:

“(…) destinava-se a acolher os visitantes do convento e apresenta, por isso, um aspeto nobre. Preserva traços idênticos ao que deverá ter sido o Claustro Grande inicial, castilhiano, permitindo imaginar em traços gerais o que terá sido essa construção perdida. Contrafortes de secção quadrangular, a toda a altura do claustro, ritmam os seus alçados. Cobertas por abóbadas de nervuras, as galerias do piso térreo são constituídas por quatro tramos, com dupla arcada de volta perfeita assente em colunas com amplos capiteis; o primeiro piso é coberto por travejamento de madeira com caixotões, sendo formado por uma arquitrave assente, ao centro, numa coluna jónica; o lado oeste do claustro dispõe de um piso adicional, solucionado de forma idêntica ao primeiro piso.”

Uma das escadas em caracol do Claustro de D. João III

Detalhes (cruzes heráldicas e esferas armilares) da nave manuelina

Janela do Capítulo

Refeitório, construído na primeira metade do século 16

Destacam-se no refeitório as longas mesas, para 180 pessoas

Localizado a sudoeste do claustro principal, o Refeitório do Convento de Cristo foi construído na década de 1530. Destacam-se nesse ambiente os púlpitos, ambos de 1536, e as longas mesas de pedra, capazes de acomodar 180 pessoas no total. Na entrada do espaço, uma placa informativa resume assim sua história:

Construído por João de Castilho durante a grande campanha de D. João III, este espaço devia estar concluído entre 1535 e 1536, de acordo com as inscrições nos púlpitos, destinados à leitura durante a refeição. Note-se o desenho das nervuras perspectivadas da abóbada. Tem uma antecâmara que serviu de aparador e que comunica com a cozinha. Sob o refeitório, localiza-se a adega do vinho e do azeite e outras dependências de cariz agrícola, em articulação com o laranjal (Horta dos Frades) e a cerca do convento. A actual organização das mesas deveu-se a obras posteriores, do tempo do Seminário das Missões (1922-92).

Inscrição no túmulo manuelino de D. Diogo da Gama, irmão de Vasco da Gama

Ponte romana sobre o Rio Nabão e o convento ao fundo, no alto da colina

Quanto ao extraordinário Aqueduto dos Pegões Altos, nem sei bem o que escrever. É um dos quatro aquedutos mais espetaculares do país, junto com o das Águas Livres, em Lisboa, o da Amoreira, em Elvas, e o da Água de Prata, em Évora. Ir a Tomar e não vê-lo de perto seria um pecado imperdoável, acredite. O aqueduto tem seis quilômetros de extensão, desde Pegões até o Claustro Principal do convento. Começou a ser construído, por ordem de Filipe I e com supervisão de Filipe Terzio, em 1593. Mas só foi concluído 21 anos depois, em 1614, sob o comando de Pedro Fernandes de Torres. O trecho que atravessa o Vale dos Pegões é de tirar o fôlego. São 58 arcos de volta inteira apoiados sobre 16 arcos ogivais. Nesse ponto, o aqueduto chega a 30 metros de altura.

Aqueduto dos Pegões, construído entre 1593 e 1614

No trecho que atravessa o Vale dos Pegões, ele chega a 30 metros de altura

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

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