Cap 3 – SINTRA (PALÁCIO NACIONAL)

Sigo compartilhando com os amigos a edição das imagens que estarão no livro Portugal – Patrimônios da Humanidade. A ideia, como a maior parte dos seguidores deste blog já deve saber, é que a obra não apenas conte a história dos patrimônios mundiais portugueses, mas também revele as conexões de cada um deles com o Brasil. Na versão impressa, imagino ser possível publicar até 10 fotos de cada patrimônio. Já na versão digital (possivelmente um aplicativo de download gratuito), não haverá limite.

Neste post, reúno seis imagens do Palácio Nacional de Sintra, das quais quatro são inéditas. É muito provável que, dessas seis, restem apenas uma ou duas na edição final. Uma lástima, especialmente para mim, pai de todas as fotos. Como já escrevi aqui, editar o próprio trabalho fotográfico é um exercício brutal de desapego. Ainda bem que existem as mídias digitais, por meio das quais posso ir à forra, publicando tudo aquilo que o livro tradicional não permite.

Palácio Nacional de Sintra, 2009

1 – Palácio Nacional, 2009

Aproveito a bola quicando para encher o pé e trazer aos leitores um pouco de informação sobre o Palácio Nacional, também conhecido como Palácio da Vila por estar ali, coladinho ao centro. No website da Parques de Sintra, lê-se assim sobre o monumento:

“O Palácio Nacional de Sintra, situado no centro histórico da vila, é um monumento único e incontornável pelo seu valor histórico, arquitetónico e artístico. De todos os palácios que os monarcas portugueses mandaram erigir ao longo da Idade Média, apenas o de Sintra chegou até aos nossos dias praticamente intacto, mantendo a essência da sua configuração e silhueta desde meados do século 16. As principais campanhas de obras posteriores à Reconquista cristã (século 12) foram promovidas pelos reis D. Dinis, D. João I e D. Manuel I, entre finais do século 13 e meados do século 16. Estas obras de adaptação, ampliação e melhoramento determinaram a fisionomia do palácio.”

Chaminés, 2009

2 – Chaminés, 2009

“As primeiras alusões a estruturas palacianas em Sintra são anteriores à Reconquista. O geógrafo árabe Al-Bakrî (século 11) refere, em Sintra, dois castelos de extrema solidez. Estes seriam o situado no cimo da serra, que ainda é chamado Castelo dos Mouros, e o que existiria no local do atual palácio, implantado junto à povoação, na antiga Almedina. Teria servido como habitação dos governantes mouros e, após 1147, dos reis cristãos, na sequência das conquistas de Santarém e de Lisboa.”

Fachada principal, 2009

3 – Fachada principal, 2009

“Após a retomada de Sintra, decorreu algum tempo até os reis portugueses começarem a frequentar o palácio com maior assiduidade, sobretudo depois de Lisboa se afirmar como sede do poder central. A proximidade da capital, o clima privilegiado, a paisagem, a abundância de víveres e as condições de caça foram fatores determinantes na escolha de Sintra como refúgio da corte durante os meses de verão.

D. Dinis foi, provavelmente, o primeiro monarca a interessar-se pelo paço sintrense, uma vez fixados os limites do território português. Seus aposentos situar-se-iam na parte mais elevada do edifício, a norte, junto da Capela Palatina que mandou construir. Este corpo ainda sobrevive e um dos seus espaços mais antigos é o conhecido como Quarto-Prisão de D. Afonso VI.”

Vista do Castelo dos Mouros, 2012

4 – Do Castelo dos Mouros, 2012

“As grandes transformações e alargamentos do palácio datam do período de D. João I, no primeiro quartel do século 15, tendo-se atribuído as obras a João Garcia de Toledo. O novo paço, mais amplo e faustoso, organiza os aposentos em torno do Pátio Central, justapostos e comunicando entre si, com funções diversas, em parte referidas no manuscrito Medição das Casas de Cintra que o rei D. Duarte deixou. Destaca-se a fachada principal da construção joanina, voltada para a vila, quase totalmente ocupada pela Sala dos Cisnes, principal espaço de aparato. A distribuição do conjunto de salas anexas respondia a um critério de crescente privacidade, segundo o modelo de várias antecâmaras (Sala das Pegas, de D. Sebastião, das Sereias, onde se localizava o guarda-roupa, e de Júlio César), câmara ou quarto de dormir (Sala dos Árabes) e trascâmara (Quarto de Hóspedes). Deste modo, as divisões mais afastadas da Sala dos Cisnes seriam as mais restritas e íntimas. Fechando este conjunto, erguem-se do lado nascente as cozinhas, cujas monumentais e duplas chaminés cónicas se tornaram no ex-líbris do palácio e da própria vila de Sintra.”

Chaminés II, 2012

5 – Chaminés, 2009

“Devem-se a D. Manuel I as campanhas de obras destinadas a embelezar e beneficiar o palácio, destacando-se os elementos decorativos manuelinos (portas e janelas) e mudéjares (revestimentos azulejares), bem como dois novos corpos que engrandeceram o paço real: a ala nascente, destinada aos aposentos de D. Manuel, e a torre coroada pela Sala dos Brasões. Ao longo dos séculos seguintes, poucas intervenções tiveram um impacto profundo no perfil do palácio e o acontecimento mais significativo nele ocorrido, posterior ao reinado de D. Manuel, terá sido o cativeiro de um rei sem trono, D. Afonso VI, episódio que marca o fim do período mais intenso de habitação real.

O Palácio Nacional de Sintra foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e integra-se na Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade desde 1995. Em 2013 passou a integrar a Rede de Residências Reais Europeias.”

Vista da Volta Duche, 2009

6 – Da Volta Duche, 2009

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

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Um pensamento sobre “Cap 3 – SINTRA (PALÁCIO NACIONAL)

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