INIMIGOS NO ESPETO

Em minha mais recente visita ao Forte de Nossa Senhora da Graça, na cidade alentejana de Elvas, fui apresentado pelo amigo Jacinto Cesar a um dos elementos defensivos mais curiosos daquela fortaleza: as covas de lobo, armadilhas que se prestavam a proteger as áreas mais vulneráveis do forte contra uma eventual investida do inimigo. Elas nada mais são do que buracos escavados no solo, em forma de cone invertido, com cerca de 2 metros de profundidade e algo entre 1,5 e 2 metros de diâmetro no nível da superfície. No fundo das covas, eram cravadas estacas afiadas, de modo a perfurar o incauto soldado que, por ventura, viesse a cair em alguma delas. A maioria das armadilhas era camuflada com uma cobertura de terra ou vegetação igual à existente no local – algo parecido com o que os combatentes vietcongues viriam a fazer durante a Guerra do Vietnã quase 200 anos mais tarde.

As covas de lobo do Forte da Graça, em Elvas, que protegiam as áreas mais vulneráveis da fortaleza

Covas de lobo do Forte da Graça, que protegiam as áreas mais vulneráveis da fortaleza

O mesmo conjunto de armadilhas, descritas pela primeira vez ainda nos tempos da Roma Antiga

O mesmo conjunto de armadilhas, usadas desde os tempos da Roma Antiga

A semelhança entre as covas escavadas nos fortes de Elvas e as armadilhas vietcongues usadas quase 200 anos depois

A semelhança entre as covas e as armadilhas vietcongues

“Apesar de o termo ter origem medieval, esse tipo de armadilha foi descrito pela primeira vez por Júlio César [político da Roma Antiga] no sétimo volume da obra Commentarii de Bello Gallico”, diz a Wikipedia. “Por vezes, espetada nas pontas das estacas, era colocada carne podre, fezes e outros agentes que pudessem provocar graves infecções ou mesmo a morte de uma vítima, bastando, para isso, um ferimento leve.”

Há pelo menos quatro conjuntos de covas de lobo distribuídos pelo entorno do Forte da Graça, como mostra a planta abaixo, reproduzida do website oficial da fortaleza. Mas não é só lá que se pode ver de perto esses funestos elementos defensivos. Eles também estão presentes no Forte de Santa Luzia, outra das pérolas de Elvas – igualmente declarada patrimônio mundial pela UNESCO em 2012.

Há pelo menos quatro grandes conjuntos e covas no entorno do Forte da Graça

Há pelo menos quatro grandes conjuntos e covas no entorno do Forte da Graça

O caminho coberto da fortaleza, que permite ao visitante ver de perto as armadilhas

O caminho coberto da fortaleza, que permite ao visitante ver de perto as armadilhas

O forte encoberto pela densa neblina do dia em que o visite, no ano passado

A Casa do Governador encoberta pela neblina do dia da minha visita, outubro de 2015

O Forte de Santa Luzia, menor que o da Graça, mas também protegido por covas de lobo

O Forte de Santa Luzia, também protegido por covas de lobo

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados


FORTE DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA

Horários

  • Terça-feira: das 14h30 às 19h
  • Quarta-feira a Domingo: das 10h às 13h e das 15h às 19h
  • Fechado às segundas-feiras

Bilhetes

  • Geral: 5 €
  • Visita guiada: 8 €
  • Visita guiada especial* (com acesso à cisterna e às contraminas, quatro vezes por ano): 15 €

* É necessário agendamento prévio

Descontos de 50%

  • Aposentados com idade igual ou superior a 65 anos
  • Estudantes
  • Operadores turísticos
  • Associações culturais
  • Grupos de excursão
  • Grupos numerosos (a partir de 20 elementos e mediante marcação prévia)
  • Famílias (a partir de quatro visitantes com ascendência direta de primeiro grau)

Contato

http://fortegraca.aiaradc.org/

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