SÍMBOLO DO PORTUGAL ATLÂNTICO

Torre de Belém, 7 horas da manhã. Precisei madrugar quatro dias seguidos diante do monumento até conseguir esta foto. Nas tentativas anteriores, o sol havia teimado em não dar as caras. Naquela sexta-feira, contudo, acabei por vencê-lo pela insistência. E levei para casa, como troféu, uma das imagens que mais me agradam entre todas as que fiz nas minhas quatro visitas a Portugal.

Torre de Belém, mandada construir por D. Manuel I há 500 anos

Torre de Belém, mandada construir por D. Manuel I há 500 anos

Já contei aqui neste blog um pouco da história da Torre de Belém. Desta vez, reproduzo alguns trechos de um texto muito bom sobre o monumento disponível no website do Mosteiro dos Jerónimos:

“Lisboa, na época dos Descobrimentos, viu crescer sua importância como cidade cosmopolita, tornando-se rapidamente num ponto de referência e encontro de culturas, gentes e conhecimentos. A política naval portuguesa do século 16 e o progresso das viagens marítimas fizeram do porto de Lisboa uma paragem obrigatória para os que navegavam nas rotas do comércio internacional. Proteger Lisboa e sua barra tornou-se uma necessidade. Teve o rei D. João II (1455-1495) a iniciativa de traçar um plano inovador e eficaz, que consistia na formação de uma defesa tripartida entre o baluarte de Cascais, a Fortaleza de São Sebastião da Caparica (também chamada Torre Velha), na outra margem do rio, e uma terceira fortaleza que, devido à sua morte, coube a D. Manuel I, seu sucessor, a tarefa de mandar construir. Assim, em homenagem ao santo patrono da cidade de Lisboa, São Vicente, foi construída a Torre de Belém, no local onde antes estava ancorada a Grande Nau, que cruzava fogo com a Fortaleza de São Sebastião, perpetuando em pedra aquela estrutura de madeira.

Francisco de Arruda foi nomeado Mestre do Baluarte de Belém, após seu regresso do norte de África, onde se distinguiu pela edificação de algumas fortalezas. Iniciou a construção, em 1514, sob a orientação do mestre-de-obras do Reino, Diogo de Boitaca, que na altura dirigia os trabalhos do Mosteiro dos Jerónimos. Em 1520, a Torre estava concluída e, um ano mais tarde, era nomeado o seu primeiro alcaide-mor, Gaspar de Paiva. A contribuição prestada por Francisco de Arruda é bem visível na forma arquitectónica e nas suas proporções delicadas, bem como nas influências islâmicas e orientais dos elementos decorativos, sendo as cúpulas de gomos que cobrem as guaritas um dos exemplos mais marcantes.

(…)

Na estrutura da Torre podemos distinguir duas partes: a torre propriamente dita, ainda de tradição medieval, mais esguia e com quatro salas abobadadas, e o baluarte, de concepção moderna, mais largo e com a sua casamata, onde, a toda a volta, se dispunha a artilharia. É a este local que o visitante tem acesso directo, quando entra pela porta principal da Torre de Belém.

Com o passar do tempo, e com a construção de novas fortalezas, mais modernas e mais eficazes, a Torre de Belém foi perdendo sua função de defesa da barra do Tejo. Durante os séculos que se seguiram, desempenhou funções de controlo aduaneiro, de telégrafo e até de farol. Foi também prisão política e viu os seus armazéns transformados em masmorras, a partir da ocupação filipina (1580) e em períodos de instabilidade política.

A Torre de Belém é um referente do Portugal Atlântico e periférico. Embora ancorada no Tejo, e armada durante séculos com artilharia fixa, remete-nos para a viagem, para o querer, para o êxodo, para o nomadismo do Homem Português pelo Mundo repartido, e para o pioneirismo dos nossos seculares contactos de cultura nos vários espaços insulares e continentais. A nudez simbólica das suas pedras remete para as dimensões local, regional e nacional, mas alarga-se à dimensão universal onde pode caber o Homem uno e diverso. A Torre de Belém afirma o direito à diferença dum povo e duma comunidade alargada de língua comum.”

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

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Um pensamento sobre “SÍMBOLO DO PORTUGAL ATLÂNTICO

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