COLÉGIO DO ESPÍRITO SANTO

Caros leitores, permitam-me apresentar-lhes a segunda instituição acadêmica mais antiga de Portugal: a Universidade de Évora, fundada em 1559 a partir do antigo Colégio do Espírito Santo, cujo edifício é precisamente esse que aparece na imagem. Fiz questão de visitá-la duramente minha mais recente visita à cidade, em outubro do ano passado, porque há uma forte ligação entre ela e a história do Brasil. Ou melhor, entre ela e a primeira universidade brasileira, criada no fim do século 17 em Salvador, na Bahia. Ambas foram dirigidas por jesuítas, sendo que a instituição baiana seguia rigorosamente os mesmos estatutos adotados pela alentejana.

O Colégio do Espírito Santo, ponto de partida para a criação da Universidade de Évora

O Colégio do Espírito Santo, ponto de partida para a criação da Universidade de Évora

No website da Universidade de Évora, há um belo resumo da sua história. Reproduzo a seguir alguns trechos:

“A Universidade de Évora foi a segunda universidade a ser fundada em Portugal. Após a fundação da Universidade de Coimbra, em 1537, fez-se sentir a necessidade de uma outra universidade que servisse o sul do país. Évora, metrópole eclesiástica e residência temporária da Corte, surgiu desde logo como a cidade mais indicada.

Ainda que a ideia original de criação da segunda universidade do Reino tenha pertencido a D. João III, coube ao cardeal D. Henrique sua concretização. Interessado nas questões de ensino, começou por fundar o Colégio do Espírito Santo, confiando-o à então recentemente fundada Companhia de Jesus. Ainda as obras do edifício decorriam e já o cardeal solicitava de Roma a transformação do colégio em universidade plena. Com a anuência do papa Paulo IV, expressa na bula Cum a nobis de abril de 1559, foi criada a nova universidade, com direito a leccionar todas as matérias, excepto a Medicina, o Direito Civil e a parte contenciosa do Direito Canónico. A inauguração solene decorreu no dia 1º de Novembro desse mesmo ano. Ainda hoje, nesse dia se comemora o aniversário da universidade, com a cerimónia da abertura solene do ano académico.

As principais matérias ensinadas eram Filosofia, Moral, Escritura, Teologia Especulativa, Retórica, Gramática e Humanidades, o que insere plenamente esta universidade no quadro tradicional contra-reformista das instituições católicas europeias do ensino superior, grande parte das quais, aliás, controladas pelos jesuítas. No reinado de D. Pedro II, viria a ser introduzido o ensino das Matemáticas, abrangendo matérias tão variadas como a Geografia, a Física ou a Arquitectura Militar.

O prestígio da Universidade de Évora durante os dois séculos da sua primeira fase de existência confundiu-se com o prestígio e o valor científico dos seus docentes. A ela estiveram ligados nomes relevantes da cultura portuguesa e espanhola, dos quais importa ressaltar, em primeira linha, Luis de Molina, teólogo e moralista de criatividade e renome europeu. Em Évora, foi doutorado um outro luminar da cultura ibérica desse tempo, o jesuíta Francisco Suárez, depois professor na Universidade de Coimbra. Aqui ensinou durante algum tempo Pedro da Fonseca, considerado o mais importante filósofo português quinhentista, célebre pelo esforço de renovação neo-escolástica do pensamento aristotélico.”

(…)

“Quando a conjuntura política e cultural de meados do século 18 se começou a revelar hostil aos jesuítas, não admira que a Universidade de Évora se tenha facilmente transformado um alvo da política reformadora e centralista de Pombal. Em 8 de fevereiro de 1759, a universidade foi cercada por tropas de cavalaria, em consequência do decreto de expulsão e banimento dos jesuítas. Após largo tempo de reclusão debaixo de armas, os mestres acabaram por ser levados para Lisboa, onde muitos foram encarcerados no tristemente célebre Forte da Junqueira. Outros foram sumariamente deportados para os Estados Pontifícios.

A partir da segunda metade do século 19, instalou-se no nobre edifício henriquino o Liceu de Évora, ao qual a rainha Dona Maria II concedeu a prerrogativa do uso de ´capa e batina`, em atenção à tradição universitária da cidade e do edifício. Em 1973, por decreto do então ministro da Educação, José Veiga Simão, foi criado o Instituto Universitário de Évora, que viria a ser extinto em 1979 para dar lugar à nova Universidade de Évora.”

Uma aluna da universidade no intervalo entre as aulas

Uma aluna da universidade no intervalo entre as aulas

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

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Um pensamento sobre “COLÉGIO DO ESPÍRITO SANTO

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