AUTÊNTICA E MONUMENTAL

AUTÊNTICA E MONUMENTAL

Entre os próximos dias 29 de setembro e 9 de outubro, estarei em Évora, para mais uma rodada de fotos do seu centro histórico. Essa será minha segunda visita à cidade. Já estive lá em 2012. E guardo maravilhosas recordações. … Continuar lendo

CONEXÃO ELVAS-BRASIL

Os bem informados leitores deste blog, ou pelo menos aqueles que são brasileiros, devem estar fartos do noticiário recente, repleto de escândalos de corrupção envolvendo altas patentes do poder público. Pois saiba você, indignado contribuinte, que a mania de tungar os cofres públicos não é novidade. Ela vem de longe, muito longe. Está entre nós desde os tempos das capitanias hereditárias. Foi o que eu descobri ao pesquisar conexões entre a história do Brasil e a cidade de Elvas, o maravilhoso patrimônio mundial português retratado nestas fotos.

Os parágrafos reproduzidos a seguir foram extraídos do livro História do Brasil para Ocupados, uma coletânea de artigos organizada pelo historiador Luciano Figueiredo, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Leia e perceba como pouca mudou nos últimos 500 e tantos anos no que se refere a desvios de verbas em obras públicas.

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A muralha de Elvas: integrante do conjunto declarado patrimônio mundial em 2012

“Ao decretar a instauração do governo-geral, em dezembro de 1548, a Coroa [portuguesa] pretendia não apenas garantir a defesa da terra e a cobrança de impostos: queria assegurar também a aplicação da Justiça real no Brasil. O homem escolhido para a árdua tarefa foi o desembargador Pero Borges, ex-corregedor de Justiça no Algarve. Alvará régio assinado em Almeirim, no dia 17 de dezembro de 1548, nomeou-o primeiro ouvidor-mor do Brasil, determinando que “todas as autoridades e moradores da colônia lhe obedeçam, e cumpram inteiramente suas sentenças, juízos e mandados, em tudo o que ele (…) fizer e mandar”. No mesmo dia e local, Borges recebeu o regimento que definia seus poderes e atribuições. Ao contrário dos regimentos concedidos ao governador-geral e ao provedor-mor, o do ouvidor-geral nunca foi encontrado. De todo modo, uma carta enviada ao rei por Pero Borges em fevereiro de 1550 permite recuperar as prerrogativas do cargo. Com isso, sabe-se que seus poderes se equiparavam aos dos desembargadores da Casa da Suplicação – que eram os magistrados de mais alto nível em Portugal, exceção feita aos desembargadores do Paço.”

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A fortaleza de Nossa Senhora da Graça vista do Forte de Santa Luzia: duas jóias alentejanas

“Como suprema autoridade da Justiça na colônia, o ouvidor-geral podia condenar à morte (sem apelação) indígenas, escravos e “peões cristãos livres”, desde que o governador-geral concordasse com a pena. Em caso de discordância, o réu e os autos do processo deveriam ser enviados para um corregedor em Portugal. Nas “pessoas de mor qualidade”, o ouvidor tinha “alçada até cinco anos de degredo” e, no cível, “alçada de até 60 mil reais” – o triplo da alçada concedida aos donatários e o dobro da dos tribunais da Corte. Borges estava autorizado também “a entrar nas terras dos donatários por correição e ouvir nelas ações novas e velhas”. Embora devesse permanecer “sempre na mesma capitania em que o governador se encontrar (salvo havendo ordem em contrário ou se o bem do serviço assim o exigir)”, os poderes de Pero Borges eram independentes dos de Tomé de Sousa – que, aliás, não tinha autorização para castigar ou anistiar, a não ser em comum acordo com o ouvidor-geral.”

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Forte da Santa Luzia: construído entre 1641 e 1648 por causa da Guerra de Restauração

“Mas o homem que chegou à colônia com a missão de distribuir justiça não tinha ficha limpa. Em 1543, enquanto exercia o cargo de corregedor de Justiça em Elvas, no Alentejo, próximo à fronteira com a Espanha, Pero Borges foi encarregado pelo rei de supervisionar a construção de um aqueduto. Quando as verbas se esgotaram sem que o aqueduto estivesse pronto, “algum clamor de desconfiança se levantou no povo”, conforme registrado por Vitorino de Almada em Elementos para um Dicionário de Geografia e História Portuguesa, editado em Elvas em 1888. Os vereadores da Câmara de Elvas escreveram ao rei solicitando uma investigação. Em 30 de abril de 1543, D. João III autorizou a abertura de um inquérito. Uma comissão averiguou detidamente as contas e apurou que Borges “recebia indevidamente quantias de dinheiro que lhe eram levadas a casa, provenientes das obras do aqueduto, sem que fossem presentes nem o depositário nem o escrivão”. O prosseguimento das investigações comprovou que Borges havia desviado 114.064 reais – cerca de 50% do total da verba e o equivalente a um ano de seu salário como corregedor. No dia 17 de maio de 1547, depois de o julgamento ser adiado por três anos, Pero Borges foi condenado “a pagar à custa de sua fazenda o dinheiro extraviado”. A mesma sentença suspendeu-o “por três anos do exercício de cargos públicos”. O corregedor retornou a Lisboa “deixando atrás de si triste celebridade”. A 17 de dezembro de 1548, um ano e sete meses após a sentença, o mesmo Pero Borges foi nomeado, pelo mesmo rei, ouvidor-geral do Brasil.”

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Aqueduto da Amoreira: 50% da verba para sua construção desviados por Pero Borges

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

FORTE DA GRAÇA EM P&B

Esta galeria contém 10 imagens.

Aqui vai um ensaio sobre o Forte de Nossa Senhora da Graça, em Elvas, com imagens clicadas antes da reforma que está em curso. A obra deve ser concluída no próximo mês de setembro. Excelente notícia, não resta qualquer dúvida. A … Continuar lendo

D. DUARTE E LEONOR DE ARAGÃO

Esta galeria contém 5 imagens.

Uma sequência de imagens da arca tumular de D. Duarte, 11º rei de Portugal (à direita nas fotos), e da rainha D. Leonor. O túmulo duplo fica nas Capelas Imperfeitas, um dos lugares mais fascinantes do Mosteiro da Batalha. © Fotos: … Continuar lendo

SETE CAPELAS RADIANTES

SETE CAPELAS RADIANTES

De volta ao Mosteiro da Batalha para mais uma visita às Capelas Imperfeitas (na foto, vistas pelo lado de fora). “Imperfeitas”, não porque tenham algum problema de projeto, uma falha estrutural ou qualquer coisa desse tipo. O termo equivale a … Continuar lendo

NOSSA SENHORA DA OLIVEIRA

Ela é um dos mais significativos exemplares de arquitetura gótica do norte de Portugal. E ajuda a fazer do Largo da Oliveira, em Guimarães, um dos lugares mais incríveis do país. A Igreja de Nossa Senhora da Oliveira foi mandada construir pelo rei D. João I, no fim do século 14, para honrar um voto feito à Virgem da Oliveira, pela vitória na Batalha de Aljubarrota.

Nossa Senhora da Oliveira, Guimarães: arquitetura gótica do norte de Portugal

Nossa Senhora da Oliveira, Guimarães: belo exemplar de arquitetura gótica do norte de Portugal

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

No website da Guimarães Turismo, lê-se o seguinte sobre a igreja:

“As origens da Insigne e Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira remontam ao mosteiro dedicado ao Salvador do Mundo, à Virgem de Santa Maria e aos Santos Apóstolos, fundado pela condessa Mumadona Dias, cerca de 950. A invocação de Nossa Senhora da Oliveira prevalece após 1342, com o reverdecimento de uma oliveira na praça fronteira.

A edificação atual evidencia as sucessivas remodelações e acrescentos, integrando elementos de diversas épocas – a reconstrução gótica impulsionada por D. João I; a torre da igreja de características manuelinas, concluída cerca de 1513-1515; a capela-mor, de arquitetura clássica, reedificada no século 17 por D. Pedro II; os estuques das capelas maior e colaterais são referências da reforma neoclássica iniciada em 1830; a última intervenção data do século 20 e pretendeu deixar à vista o granito das paredes e as colunas de origem medieval. A igreja é classificada como monumento nacional desde 1910.”

PADRÃO DO SALADO

PADRÃO DO SALADO

No coração do centro histórico de Guimarães, bem em frente à Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, figura um dos monumentos mais emblemáticos da cidade. Ali, todo mundo passa, muita gente tira foto, alguns se sentam para descansar. Mas poucos, pelo … Continuar lendo

INSPIRAÇÃO TEMPLÁRIA

Essa é a janela neomanuelina do Palácio da Pena, em Sintra. Já percebeu como ela é parecida com famosa Janela do Capítulo, do Convento de Cristo, em Tomar? Não é coincidência, trata-se de uma cópia mesmo.

A janela neomanuelina do Palácio da Pena, em Sintra: cópia da Janela do Capítulo em Tomar

A janela da Pena: cópia da Janela do Capítulo em Tomar

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

No website da Parques de Sintra, que administra o palácio, a história é resumida assim:

“A janela neomanuelina do Palácio da Pena é uma recriação revivalista da célebre janela manuelina do Convento de Cristo de Tomar do século 16, que o rei D. Fernando tinha visitado pela primeira vez em 1843 (foi também por iniciativa do rei que se mandou demolir um pequeno claustro que ocultava esta janela, que hoje está à vista de todos). Impressionado por este ícone da arte do tempo dos Descobrimentos, D. Fernando incluiu uma versão simplificada na fachada poente do Palácio Novo, que no interior corresponde à Sala de Fumo.

Aqui foi retomada a temática decorativa nos elementos de pedra que emolduram uma janela de volta inteira: esferas armilares, correntes, cordas e motivos vegetalistas, assim como a cruz de Cristo. Sob a janela e sobre o óculo à maneira de rosácea, vêm-se as armas do rei consorte, constituído pelas armas da sua esposa, rainha D. Maria II, e pelas da sua família de origem, os duques de Saxe-Coburgo. Com esta janela inaugurou-se o estilo neomanuelino, tão determinante na arte e arquitetura portuguesas até aos inícios do século 20.”

CASTELO IMAGINÁRIO

CASTELO IMAGINÁRIO

Estou doido para levar minha filha, de apenas três anos, a Sintra. Sempre considerei a vila um destino de sonho para crianças, mesmo antes de me tornar pai. O lugar é tranquilo, repleto de palácios, quintas e jardins incrivelmente lúdicos. Fico … Continuar lendo