TESOUROS DO CÔA

O museu e a arte paleolítica do Vale do Côa em um programada com mais de uma hora de duração, produzido e exibido pela RTP em 2011. Quem conduz a incursão ao mais importante conjunto de arte pré-histórica ao ar livre do mundo – além da apresentadora, Paula Moura Pinheiro – são os arqueólogos Dalila Correia, Thierry Aubry e António Martinho Baptista e o cineasta João Trabulo.

MAR DE VINHEDOS

A Quinta de Ervamoira, no Douro Superior, vista de três pontos distintos: de longe, desde o Miradouro de São Gabriel, em Castelo Melhor; mais de perto, da estrada que leva ao sítio arqueológico de Penascosa; e bem de pertinho, ou melhor, lá … Continuar lendo

ARTE PRIMITIVA. PRIMITIVA?

De volta ao Parque Arqueológico do Côa para uma rápida visita ao núcleo de arte pré-histórica da Ribeira de Piscos. Dei um azar danado quando lá estive, em setembro do ano passado. Tempo ruim, com chuvisco indo e vindo a todo instante, e uma luz difusa que me proporcionava quase nada de contraste. Algumas gravuras, como a dos cavalos com as cabeças enlaçadas da rocha 1, estavam bem “sujas”, cobertas de sedimentos por causa dos aguaceiros nos dias anteriores. Resultado: fotos muito ruins. Publicáveis, só a do auroque da rocha 13, mostrada aqui em novembro, e mais meia dúzia ou um pouco mais. Quatro dessas eu reúno neste post.

Visual perto da foz da Ribeira de Piscos, que desagua no Côa

Visual do Côa nas proximidades da foz da Ribeira de Piscos: escola paleolítica de Belas Artes

Pesquisando na web, fui parar no blog PhotoArch, que escreve assim sobre a Ribeira de Piscos: “Os critérios que permitiram datar esse vasto conjunto artístico foram vários. No caso do Paleolítico Superior (que, em Portugal, corresponde ao período compreendido entre cerca de 30 mil e 10 mil anos antes do presente), recorreu-se em primeiro lugar à identificação das espécies figuradas. O cavalo e o auroque (o antepassado selvagem dos actuais bois domésticos), omnipresentes no Côa, são também espécies muito importantes na arte parietal paleolítica das grutas franco-cantábricas [Altamira e Lascaux, entre outras].”

O auroque da rocha 2, mais famosa pela pela figura humana da qual não tenho uma só foto publicável

O auroque da rocha 2: famosa pela figura humana da qual não tenho uma única foto publicável

Aproveito para reproduzir também alguns trechos de um texto do qual gosto muito, escrito por Luís Miguel Queirós para o Público em 2012:

“Como toda a arte paleolítica, as gravuras do Côa obedecem a representações estereotipadas – os animais são quase sempre figurados do mesmo modo, mesmo naqueles raros detalhes em que se afastam ligeiramente dos seus modelos vivos, como nas barrigas um nadinha acentuadas. Mas essa homogeneidade não significa que a sua execução estivesse ao alcance de qualquer um. A indiscutível perícia dos artistas do Côa sugere algum tipo de formação, de discipulato. ‘Uma espécie de escola de Belas-Artes’, ri-se [o arqueólogo] António Martinho Baptista [diretor do parque], não sendo todavia certo que o diga inteiramente a brincar.”

O cavalo da rocha 24, que está de perfil, mas encara o observador de frente (algo nada usual entre as gravuras do Côa

O cavalo da rocha 24, que está de perfil, mas nos encara de frente: algo nada usual

“Ao revelarem a existência de uma arte paleolítica ao ar livre produzida em grande escala”, escreve Queirós, “as descobertas no vale do Côa vieram estimular a investigação, e não será de espantar que se venham a fazer novas descobertas noutros locais. Mas, do que se conhece até agora, não há a menor dúvida de que o Côa é um caso único, não só pela concentração de vestígios – encontraram-se até este momento mais de mil rochas gravadas, das quais cerca de metade datarão do Paleolítico –, mas também pela própria qualidade das gravuras. ‘Não quero chamar ao Côa o vale sagrado’, diz Martinho Baptista, ‘mas acho que ali só eram mesmo autorizados a praticar, pelo status social do tempo, artistas a quem fosse reconhecida competência.’”

Perto das rochas 1 e 2: vida que segue entre as gravuras

Perto das rochas 1 e 2: vida que segue entre as gravuras

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

UMA VISITA AO MACHADO DE CASTRO, COIMBRA

A Última Ceia de Hodart esmiuçada pelo programa Visita Guiada, da RTP2. Quem explica a importância da obra e discorre sobre a vida do misterioso escultor é a diretora do Museu Nacional de Machado de Castro, Ana Alcoforado. São 30 minutos de excelente bate-papo entre ela e a apresentadora, Paula Moura Pinheiro. Minha sugestão: assista ao episódio agora e torne a vê-lo antes de visitar o museu. Sua experiência será outra, bem mais profunda e prazerosa

A ÚLTIMA CEIA DE HODART

O Museu Nacional de Machado de Castro, em seu site oficial, refere-se à Última Ceia de Filipe Hodart como uma das mais impressionantes obras de escultura do Renascimento europeu. “Hodart retratou figuras populares, identificadas na época com personagens conhecidas no quotidiano do Mosteiro de Sta Cruz, para o qual a obra foi executada. Eram mendigos ou trabalhadores das obras que aí decorriam.”

São Pedro, um dos únicos três apóstolos identificados; os outros dois são judas e São João

São Pedro, um dos únicos três apóstolos identificados: os outros dois são judas e São João

As figuras são realistas: inspiradas em mendigos e trabalhadores

As figuras são realistas: inspiradas em mendigos

“As figuras estão dotadas de um realismo e uma violência de expressões surpreendentes: barbas encrespadas, boca entreaberta, dentes à mostra, troncos delgados, pés grandes e um pouco desproporcionados, roupagens agitadas, com um sopro de paixão e dramatismo. Todo o conjunto explode de vivacidade, revelando uma das personalidades mais impetuosas do renascimento português.”

Um dos apóstolos não identificados: vivacidade e dramatismo

Um dos apóstolos não identificados: vivacidade e dramatismo

A mesma figura

A mesma figura

“As figuras apresentam-se sentadas, quase completas, embora mutiladas, apresentando algumas delas só já o tronco e a cabeça ou mesmo só a cabeça. A originalidade e a importância do conjunto residem particularmente no tratamento formal concedido às figuras, um trabalho claramente precoce no tempo, uma vez que anuncia elementos maneiristas e participa de alguns princípios do Barroco, nomeadamente em relação à expressividade e dinamismo que apresentam.”

Outro apóstolo desconhecido: trabalho precoce no tempo

Outro apóstolo desconhecido: trabalho precoce no tempo

Mais um ilustre desconhecido: expressividade e dinamismo

Mais um ilustre desconhecido: expressividade e dinamismo

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

APÓSTOLO DESCONHECIDO

APÓSTOLO DESCONHECIDO

Peço licença aos leitores, de novo, para dar uma escapadinha do tema central deste blog. Motivo: o Museu Nacional de Machado de Castro, embora esteja colado à Universidade de Coimbra, não é patrimônio da humanidade. Mas deveria ser. E eu … Continuar lendo

VAI QUERER SABER MAIS?

Um passeio pela Biblioteca Joanina, em Coimbra, conduzido por Paula Moura Pinheiro, apresentadora do programa Visita Guiada, da RTP2. “A mais suntuosa biblioteca universitária que se conhece no mundo, obra-prima do Barroco Europeu.”

BIBLIOTECA JOANINA

Sabe o Barroco Brasileiro, de Olinda, Salvador e Ouro Preto? Dos mestres Ataíde e Aleijadinho? É tudo cria do Barroco Português, que tem na Biblioteca Joanina, em Coimbra, um dos seus ícones. Ela leva esse nome porque foi construída a mando do rei D. João V, o Magnânimo (1706-1750). Está entre as mais espetaculares bibliotecas da Europa.

“Construída de modo a exaltar o monarca e a riqueza do império, nomeadamente da provinda do Brasil, esta biblioteca é, para além de uma esplendorosa combinação de materiais exóticos, um verdadeiro cofre forte de livros”, diz a Universidade de Coimbra em seu site. “Concebida como um paralelepípedo disposto em altura para vencer a diferença de cota, encostado à cabeceira da Capela, abre para o pátio o piso principal correspondente às salas nobres, a que se acede por um portal monumental, como um arco de triunfo, ladeado de colunas jónicas e dominado por um magnífico escudo real.”

A biblioteca vista de fora, do Paço das Escolas: portal monumental, como um arco do triunfo

A biblioteca vista de fora, do Paço das Escolas: portal monumental, como um arco do triunfo

“No interior, aguarda o visitante uma sucessão de três salas comunicantes que, sabiamente, conduzem o olhar do visitante para o retrato do patrono, D. João V, da autoria do pintor saboiano Domenico Duprà.”

Retrato do patrono, D. João V: daí vem o nome Biblioteca Joanina

Retrato de D. João V: daí vem o nome Biblioteca Joanina

“O interior, realizado por Manuel da Silva ao longo de 40 meses, é integralmente revestido por estantes forradas a folha de ouro e decoradas com motivos chineses, que estabelecem uma interessante relação cromática com os fundos pintados a verde, vermelho e negro.”

A biblioteca foi onstruída de modo a exaltar o monarca e a riqueza do império: expoente do Barroco Português

A biblioteca foi construída de modo a exaltar a riqueza do império: expoente do Barroco

“Em contraste com o pavimento em pedra calcária cinzenta e branca ressaltam os coloridos tetos decorados com alegorias dedicadas ao triunfo da Universidade.”

Um dos tetos coloridos que adornam as três salas: decorados com alegorias dedicadas ao triunfo da universidade

Um dos tetos coloridos: decorados com alegorias dedicadas ao triunfo da universidade

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

DE VOLTA À UNIVERSIDADE

Faz tempo – praticamente três meses – que não publico fotos da Universidade de Coimbra. Pois acabou o jejum. Junto com as imagens, reproduzo dois parágrafos extraídos de um material que me foi enviado pela amável Catarina Freire, do departamento de turismo da UC.

Paço das Escolas, o mais célebre cartão postal da universidade

Paço das Escolas, o mais célebre cartão postal da universidade

“A Universidade de Coimbra – Alta e Sofia está inscrita na lista dos bens Património Mundial da Unesco desde junho de 2013, após decisão unânime do Comité do Património Mundial, reunido em Phnom Penh, Camboja. Este bem inclui 31 edifícios de grande relevância, localizados em duas áreas que somam 35,5 hectares, e que possuem uma zona de proteção com 81,5 hectares. Estamos, assim, perante um conjunto complexo de elementos, unidos pelo seu papel enquanto testemunho material da longa história desta instituição universitária.”

É impressão minha ou o estudante parece meio desolado?

É impressão minha ou o estudante parece meio desolado?

“Erguidos em diversos períodos cronológicos, resultam diretamente das reformas ocorridas ao nível ideológico, pedagógico e artístico. Salientam-se quatro grupos identitários: o grupo dos colégios da Rua da Sofia, o grupo dos colégios da Alta, o grupo de edifícios resultante da reforma pombalina e, finalmente, o grupo edificado durante o período do Estado Novo.”

Faculdade de Letras, um dos edifícios do período do Estado Novo

Faculdade de Letras, do período do Estado Novo

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

BLUE HOUR EM COIMBRA

BLUE HOUR EM COIMBRA

Recomendo fortemente que, em sua próxima visita a Coimbra, você reserve pelo menos um fim de tarde/início da noite para observar a cidade desde o Parque Verde, na margem oposta do Mondego. E escrevo “pelo menos um” porque, se estivesse … Continuar lendo