VESTÍGIOS DE UMA NECRÓPOLE

As fotos reunidas aqui são de duas peças provenientes da antiga necrópole de Aeminium, como era chamada a cidade de Coimbra na época do Império Romano. Nas duas primeiras imagens, o que se vê é uma árula – em outras palavras, um pequeno altar funerário. O Museu Nacional de Machado de Castro descreve assim o artefato:

“Procedente das destruições da zona do castelo, esta pequena ara foi consagrada aos deuses Manes, em memória de Vagelia Rufina Júnior, por seu avô, Álio Avito, e seu pai, Silvânio Silvano. A ausência de menção à idade da menina e a descoberta, no lugar da mesma necrópole, de um cipo funerário dedicado pelos dois homens à memória de Ália Vagelia Ávita, de 26 anos, mostra que a criança não sobreviveu por muito tempo ao desaparecimento da mãe ou que ambas morreram no parto.

Os nomes da jovem mãe e do seu pai remetem para famílias ricas da sociedade emineense com uma dupla origem indígena e romana. Vagellia é mesmo nome de uma gens da península itálica. Outras inscrições funerárias encontradas em Conimbriga provam que as mesmas famílias existiam nas duas cidades vizinhas. Aliás, a tipologia dos monumentos e o calcário de Ançã de que são feitos sugerem uma oficina comum.”

Altar funerário do Museu de Machado de Castro

Altar funerário do Museu de Machado de Castro

O mesmo altar um pouco mais de perto

O mesmo altar um pouco mais de perto

A terceira imagem mostra uma urna encontrada no mesmo sítio e dedicada a um romano de nome Aurélio Rufino. Demais, não é verdade? Tudo isso fica exposto na área que os especialistas chamam de criptopórtico, uma galeria de dois pisos que sustentava o fórum de Aeminium. Pois é: o museu tem como “alicerce” uma estrutura dos tempos da Roma Antiga. E não é uma estrutura qualquer. Trata-se do maior edifício romano preservado em Portugal.

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Urna funerária dedicada a um romano de nome Aurélio Rufino

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

MUSEU DE MACHADO DE CASTRO

Logo na minha primeira manhã em Coimbra, fui conhecer o Museu Nacional de Machado de Castro. Programaço. Vá por mim, é visita obrigatória, ainda que você não seja lá muito fã de museus. Primeiro, porque seu acervo é espetacular, entre arqueologia, escultura, pintura, cerâmica, ourivesaria, mobiliário e muito mais. Depois, porque ele fica no coração da Alta, bem ao lado da Sé Nova. Além disso, seu restaurante – o Loggia – tem boa comida e vistas melhores ainda. É por essas e outras que o Machado de Castro entra fácil na lista dos cinco museus mais legais que eu já visitei.

Começo aqui uma série de pelo menos quatro posts sobre o acervo arqueológico do MNMC. Para ser mais exato, sobre Aeminium, a cidade romana que, há cerca de 2 mil anos, existia onde hoje fica Coimbra. A prova mais eloquente de que esse realmente era o seu nome está na rocha das fotos. Trata-se da Lápide Honorífica. Perceba que, na sua parte inferior (foto 2), dá para ler com todas as letras a palavra AEMINIENS, referência explícita aos cidadãos de Aeminium. Em seu site, o museu escreve o seguinte:

“Descoberta em 1888, esta lápide – dedicada pela cidade de Aeminium ao dileto príncipe Flávio Valério Constâncio, nascido para o bem e progresso da República, pio, feliz, invicto, augusto, pontífice máximo, com o poder tribunício, pai da pátria, procônsul – tem a maior importância para Coimbra. Antes de mais, por ter confirmado documentalmente o seu nome romano; em segundo lugar, porque a data de 305-306, que os atributos do imperador estabelecem para a dedicatória, sugere que a grande benfeitoria concedida por Constâncio Cloro possa ter sido a construção da muralha. De entre as hipóteses possíveis, esta é a mais plausível pela concordância da datação com os factos históricos conhecidos para a Lusitânia.”

Coimbra

Lápide Honorífica: prova do nome romano de Coimbra

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Na parte inferior da lápide, que foi descoberta em 1888, lê-se claramente a palavra “aeminiens”

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

ENFIM, COIMBRA

ENFIM, COIMBRA

Senhoras e senhores, essa é Coimbra precisamente às 19h04 do dia 11 de setembro passado, uma quinta-feira. Caramba, como eu tinha vontade de conhecer a cidade. Pois finalmente aconteceu. Quem acompanha o blog já viu algumas fotos da minha passagem por lá, … Continuar lendo

UMA TERÇA-FEIRA EM LISBOA

Mais uma foto da Torre de Belém feita no primeiro dia da press trip deste ano. Eram oito horas da noite, uma terça-feira de final de verão. Quem vê um entardecer bonito como esse não imagina a virada de tempo que estava por vir. Na manhã seguinte, Lisboa acordou debaixo de um aguaceiro daqueles. Nada comparável, felizmente, à chuvarada que inundou a cidade na semana passada (eu ainda estava em Portugal e acompanhei tudo pelos noticiários locais). Mas suficiente para acabar com o meu plano de fotografar a torre iluminada pelos primeiros raios de sol. Por mais que estivesse empolgado, com a energia típica de um início de viagem, nem passou pela minha cabeça encarar aquela chuva. Guardei o equipamento, passei a mão no carro e me mandei para Coimbra.

Luzes e sombras de um entardecer na Torre de Belém, declarada patrimônio mundial pela Unesco em 1983

Luzes e sombras de um entardecer na Torre de Belém, declarada patrimônio mundial pela Unesco em 1983

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados