VIAGEM NO TEMPO

Um passeio pelos lugares de Évora que melhor sintetizam as etapas históricas do desenvolvimento da cidade. Quem conduz o documentário é Fernando António B. Pereira, diretor do Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes (Cieba) da Universidade de Lisboa.

A primeira metade do vídeo não tem nada a ver com Évora, é o episódio da série Património Mundial sobre o Mosteiro da Batalha. Vá direto ao minuto 21.

BEM-VINDO A ÉVORA

BEM-VINDO A ÉVORA

Foi essa a minha primeira visão do centro histórico de Évora, declarado patrimônio mundial pela Unesco em 1986. Vinha da cidade-fortaleza de Elvas, também no Alentejo, pela rodovia A6. Faltando um quilômetro ou pouco mais para entrar no perímetro urbano, … Continuar lendo

CLAUSTRO REAL

Detalhe do Claustro Real – ou Claustro D. João I, como você preferir. Um lugar de arquitetura solene, bem tranquilo e relaxante quando não está abarrotado de turistas. Foi começado pelo mestre português Afonso Domingues, no século 14, e terminado pelo irlandês David Huguet, no século 15. A dica é aquela de sempre: evite os fins de semana e, se possível, fuja também dos meses de verão. Visitar o Mosteiro da Batalha sem muvuca é muito mais legal. Em 2013, este foi o terceiro monumento mais visitado do país, com 291,5 mil visitantes. Só ficou atrás do Mosteiro dos Jerónimos (723 mil) e da Torre de Belém (538 mil), ambos em Lisboa.

Luz de fim de tarde no Claustro Real, Mosteiro da Batalha: lugar solene e elegante

Luz de fim de tarde no Claustro Real, Mosteiro da Batalha: lugar de arquitetura solene e elegante

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

TUDO SOBRE A BATALHA

Episódio da série Património Mundial  sobre o Mosteiro da Batalha – ou de Santa Maria da Vitória, como preferir. Tudo que você precisa saber sobre ele antes de visitá-lo foi condensado nos 20 minutos deste documentário.

PERFILAM-SE OS APÓSTOLOS

São de arrepiar a beleza e a complexidade do pórtico de entrada do Mosteiro da Batalha. Passe os olhos com calma pelas imagens e repare nos detalhes, na simetria, no conjunto. Um espetáculo, caso único na história da arte portuguesa. O site oficial do monumento o descreve assim:

“De cada lado da entrada, debaixo de baldaquinos de lavor requintado, perfilam-se os Apóstolos, seis de cada lado, dispostos sobre bases que assentam em mísulas historiadas. Por cima dos Apóstolos, dispõe-se um conjunto de personagens definidor do mundo celeste: nas duas primeiras arquivoltas, virgens, mártires e confessoras; papas, bispos, diáconos, monges e mártires com a sua palma, como que convidando os que entram no templo a imitarem as suas virtudes. Nas duas arquivoltas seguintes estão os reis de Judá, antepassados de Maria e em cuja linhagem entroncava o próprio Cristo, e os profetas e patriarcas cujo ministério da palavra ou testemunho de vida anuncia o Novo Testamento.”

Apóstolos no pórtico de entrada do Mosteiro da Batalha

Apóstolos no pórtico de entrada do Mosteiro da Batalha

“As duas arquivoltas mais interiores estão ocupadas por figuras angélicas: as primeiras, sentadas, são anjos músicos; as segundas, de pé, representam serafins, com três pares de asas. Se aqueles anunciam a aproximação ao trono de Deus, apelando para a música suavíssima que é apanágio da felicidade do Paraíso, estes são, na hierarquia dos anjos, os que mais próximos estão da divindade.”

Reis de Judá, profetas e anjos músicos também adornam o pórtico

Os reis de Judá, profetas e anjos músicos também adornam o pórtico

“É no tímpano que a figura de Deus domina, literal e simbolicamente, toda esta majestosa composição. Ao centro, sentado sobre um trono e coberto por um baldaquino, Deus é retratado na figura de um ancião, revestido de uma imagem imperatorial que se afirma pelo gesto de poder da mão direita erguida e pelo globo do mundo sobre o qual repousa a mão esquerda. A ladeá-lo, os quatro evangelistas sentados, a ler ou anotar os livros, acompanhados dos seus animais simbólicos: S. João com a águia, S. Marcos com o leão, o boi com S. Lucas e S. Mateus com o anjo. Este grandioso conjunto remata-se com a cena da Coroação da Virgem.”

O centro da composição é dominado pela figura de Deus

O centro da composição é dominado pela figura de Deus

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

O PAISAGISMO DAS VINHAS

Para cobrir de vinhas as encostas do Douro, o homem teve de suar. Precisou esculpir socalcos, armar patamares, plantar uma imensidão de videiras. Verdadeiro trabalho de Hércules, executado ao longo de séculos por gerações e gerações.

Hoje, são três as principais técnicas de armação do terreno utilizadas no Douro. Os textos a seguir, extraídos do site da Taylor´s, resumem bem cada uma delas.

Socalcos tradicionais   As vinhas mais antigas são plantadas em socalcos tradicionais suportados por muros de pedra. Estes muros foram construídos à mão nas íngremes encostas e depois preenchidos com terra trazida da margem do rio ou quebrando o leito da rocha. (…) Classificados como Património Mundial, os socalcos formam uma das mais dramáticas e inspiradoras paisagens vínicas do mundo. No final do século 20, o custo de construção destes muros era já proibitivo, não sendo construídos nos dias de hoje.

Socalcos: sustentados por muros de pedra, eles formam um das mais dramáticas paisagens vínicas do mundo

Socalcos: suportados por muros de pedra, eles formam um das mais dramáticas paisagens vínicas

Patamares   São modernos socalcos cortados nas encostas através do uso de equipamentos de terraplanagem. Não são suportados por muro, mas separados por taludes altos em terra. Observados a certa distância ou desde o ar, assemelham-se a gigantescas linhas de contorno. Esta técnica de armação do terreno das vinhas generalizou-se na década de 1980, quando uma grande área das vinhas do Douro foi redesenhada – inclusive alguns dos mortórios, isto é, socalcos que jamais tinham sido replantados após a praga de filoxera da década de 1870.

Patamares: não são suportados por muro, mas separados por taludes altos em terra

Patamares: não são suportados por muros de pedra, mas separados por taludes altos em terra

Plantação vertical   Nas zonas onde a inclinação o permite, os terraços podem ser substituídos por linhas verticais de vinhas que se elevam perpendicularmente na encosta. Esta é uma técnica que tem sido aperfeiçoada nos últimos anos e que é conhecida como vinha ao alto. Os avanços nas técnicas antierosão e de drenagem têm permitido que um número crescente de vinhas seja plantado desta forma. Atualmente, a vinha ao alto é a técnica adotada pela Taylor’s em encostas com inclinações até 30%. A vinha ao alto tem várias vantagens, incluindo uma melhor exposição da folhagem da videira.

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Plantação vertical: linhas que se elevam perpendicularmente em encostas com até 30 graus de inclinação

© Fotos: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

A MODERNA TRADIÇÃO DO DOURO

Estações meteorológicas portáteis e arados de tração animal. Lagares de pedra centenários, com pisa tradicional, e novíssimos lagares de aço, com pisa robotizada. Assim o Douro segue escrevendo sua história, que vai ficando cada vez mais fascinante.

RIQUEZA E PROFUNDIDADE

RIQUEZA E PROFUNDIDADE

Douro, entre Peso da Régua e Pinhão. Vê o afloramento rochoso no primeiro plano? É xisto, o ingrediente típico do solo duriense. Rocha metamórfica, fortemente laminada. Por entre as lâminas, a água da chuva penetra, e vai se acomodando lá embaixo, a vários … Continuar lendo

AUSTERIDADE MÁXIMA

A nave principal do Mosteiro de Alcobaça, com seus imponentes 100 metros de extensão e 20 metros de pé direito. O ambiente é austero, muito austero. Quase não há ornamentos e imagens. Explica-se: os monges cistercienses, a exemplo dos beneditinos, nunca foram chegados à ostentação. Ao contrário. “Nossa maneira de viver é de abnegado serviço, de humildade, de pobreza voluntária”, pregava São Bernardo de Claraval (1090-1153), talvez a figura mais importante na história da Ordem de Cister. Esse despojamento arquitetônico que se observa na nave central do mosteiro é reflexo da obediência a esses princípios.

Nave central de Alcobaça: 100 metros de extensão e 20 de pé direito

Nave central de Alcobaça: 100 metros de extensão

© Foto: Eduardo Lima / Walkabout – Todos os direitos reservados

O REINO DE CISTER

O REINO DE CISTER

O Mosteiro de Alcobaça visto das ruínas do castelo medieval da cidade. A RTP, em sua plataforma educativa, conta assim a história do monumento, considerado uma obra-prima da arte gótica cisterciense: “Portugal ainda não era um reino, D. Afonso Henriques ainda não era … Continuar lendo